quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Espelhos Quebrados

Ultimamente tenho me questionado bastante à respeito da Humanidade.
Hoje em dia, as pessoas inventam mil e uma maneiras de comunicação e no fim acabam não dizendo nada umas às outras.
O indivíduo fez questão, ao longo dos anos, de inverter seus valores, aniquilando a ética, dando vazão ao que lhe convém. Acaba por se corromper. Pratica a Política sem se dar conta. O Sistema é uma espécie de tática mal planejada e sem sentido. Mas com um objetivo.
Manipulação.
Os senhores feudais não querem ver o seu sorriso. É bom ter isso em mente. De certa forma você já sabe o que esperar.
Eles precisam que você seja submisso, que respeite as regras, que siga as normas. Enfim, que seja fraco.
Precisam te ver abalado, confuso e atormentado.
Uma mente atormentada é manipulada facilmente com maestria. Nesse caso, acredito que o Capitalismo aliado ao Consumismo desenfreado contribui em grande parte para com a Máquina. Para que a inversão seja possível. E nisso, os norte-americanos tem uma boa parcela de culpa. Mas eles jamais iriam reconhecer isso.
Pessoas de natureza morta se matam por uma questão de Status, sabendo que a infelicidade será a companheira nas horas de insônia. No entardecer da alegria que antecede o retorno do marasmo habitual, a sofrida história do azar se desenrola em capítulos infindáveis.
Espelhos quebrados.
O homem teme o caminho do coração. Prefere trabalhar na Ford. Assim a sociedade lhe concebe um Oscar. A vida é uma só até que provem o contrário. E acredito que a idéia seja procurar um caminho que te deixe feliz. É preciso ignorar o que irão dizer sobre nós. Se o homem escolhe a sua estrada por ele mesmo, o Sistema diz: ''Puxa! Aquele cara é realmente pirado. Oh! Cadê ele? Ele já se foi!''.
São as mesmas pessoas que te coíbem desde cedo. Não lhe deixam seguir adiante. Punem e zombam da sua estrada. Ignoram o seu olhar infantil. Isso é uma forma de assassinato.
E cometem o assassinato com um sorriso no rosto.
E pior...
No final, a culpa vai ser da Igreja Católica!

Que o Mundo acabe logo, Senhor.
Amém.

(Edu Neves)


terça-feira, 29 de novembro de 2011

Quando você cai

Hoje em dia a palavra maléfica da moda é Intolerância.
Intolerância nos jornais, na TV, nas escolas e onde quer que seja.
Intolerância que gera atitudes brutais contra qualquer um que seja considerado diferente de alguma forma.
Grupos de extermínio de animais.
Grupos que acreditam que as pessoas gordas devam morrer.
Grupos que querem aniquilar os homossexuais.
Grupos que criam suas próprias regras, baseadas talvez, em suas próprias frustrações.
Eu pensava em criar um grupo contra os grupos. Mas aí percebi, que estaria jogando com as regras deles.
O catolicismo por exemplo, nos impõe uma série de culpas infundadas desde os primórdios.
Culpa que nem sabemos a razão.
Sentimento destrutivo imposto por uma instituição ''dourada''.
Eu acho que um país que se considera democrático não se pode dar ao luxo de ser intolerante com as diferenças internas.
Outra coisa que acho bastante irritante é a rivalidade incabível entre os estados nacionais.
Mas falaremos disso uma outra hora.
Voltando a questão da intolerância, a sociedade hipócrita sempre exigiu respeito, compromisso e consideração.
Porém quando alguém tropeça, o circo de julgamentos está formado.
Vergonha alheia.
É o que sinto.
Não sou o Apóstolo Paulo, mas me orgulho em dizer que nunca foi necessário para mim, o uso de máscaras. De armaduras talvez...
Creio que já é tempo de ser intolerante com a intolerância.

(Edu Neves)


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Dá licença que eu vou beijar o Céu

James Marshall Hendrix.
De fato não foi uma pessoa comum.
Tímido, exibido, alegre e melancólico.
Só parecia se sentir à vontade no mundo mágico da música.
Era através de sua música que Hendrix conseguia atingir as pessoas e tocá-las de alguma forma.
Sem a música, a vida se mostrava sombria e ameaçadora.
As drogas se apresentavam como uma solução aparentemente mais fácil. Desde os cristais de metedrina, ainda cedo, até a suposta dose fatal de barbitúricos em 18 de Setembro de 1970.
Hendrix acreditava que o uso de tais substâncias ajudavam-lhe a vencer o retraimento natural e modificavam-lhe a consciência. A guitarra manualmente adaptada foi a sua mais intensa paixão. Com ela fazia amor até em público. Era a companheira que jamais lhe traía e da qual sabia todos os segredos.
Por sua guitarra, levou surras na adolescência e no quartel.
Contrário à violência, Hendrix preferia apanhar, contanto que não tocassem nela. Sua Betty Jean.
Defendia-a até a morte, se fosse preciso. Por sua causa, era rotulado como louco.
A revolução que Hendrix provocou no universo da música, não encontra paralelos até hoje. O rock, o blues e até mesmo o jazz não foram mais os mesmos depois de sua passagem iluminada por aqui.
Fusion / Jazz-Rock

Creio que Miles Davis certamente bebeu nessa fonte. Clapton, Townshend, Beck e Winwood prestaram-lhe homenagem desde sua chegada a Londres.
Hendrix era o profeta reconhecido longe de sua Seattle natal. Todos os grandes logo notaram que Hendrix era o maior entre eles.

Se você ainda tem dúvida quanto a genialidade de Hendrix, pergunte ao Eixo. Ele sabe de tudo.

A História da Vida é mais rápida do que um piscar de olhos.
A História do Amor é alô e adeus, até que nos encontremos de novo. (Jimi Hendrix - 18/09/1970)


Jimi Hendrix é um anjo torto, muito louco, que baixou nas trevas do nosso mundo, e com a sua guitarra iluminou a nossa vida.

(Edu Neves)

domingo, 27 de novembro de 2011

Um Bonde Chamado Desejo

E assim aconteceu de eu entrar nesse Mundo estragado
Para encontrar a companhia quimérica do Amor
Sua voz por um instante no vento (E não sei para onde arremessada),
Mas para abraçar por pouco tempo
Cada escolha desesperada.

- Estrofe do poema The Broken Tower ( Hart Crane - 1899 / 1932 )


A crítica literária acadêmica coloca Tennessee Williams entre os grandes nomes da Dramaturgia
Norte-americana do século XX.
Homem nascido e criado no Sul dos EUA, tinha em sua família de origem, inspiração para os personagens
sobre os quais ele escreveria durante toda a sua carreira de ficcionista.


Broadway, 1947

Temos na personagem Blanche Dubois, uma herdeira do refinamento e da fragilidade de uma aristocracia decadente. Um modo elegante de viver de lembranças.
Os problemas ganham vida quando Blanche bate de frente com o marido de sua irmã.
Stanley Kowalski, um trabalhador braçal que Blanche descreve como um animal.
Vale ressaltar a importância de Kowalski (Marlon Brando), como tendo personificado um objeto de desejo sexual que inaugurou na história americana, o reconhecimento da luxúria feminina.
Tabu quebrado.


Arthur Miller teria dito que a peça é um grito de dor. Provavelmente devido as particularidades de Tennessee. Segundo a lenda, o autor teria uma espécie de amor imorredouro por sua irmã Rose.
Alma perdida nos anos 40.
O Bonde ainda percorre os trilhos.
Desejo híbrido.

(Edu Neves)


Introdução ao Modernismo

As duas primeiras décadas do século XX marcaram-se
pela crise do Capitalismo e o renascimento da Democracia de Massas.
A Burguesia teria tomado consciência do perigo que representava, para ela, a revolução socialista.
Crença no Progresso.
A máquina se torna participante ativa em todos os setores da vida.
O período de euforia, no entanto, durou pouco.
Com a Primeira Guerra Mundial, o conflito envolveu a desconfiança nos setores políticos, sociais e filosóficos vigentes.
O homem que viveu a Guerra, começou a questionar os valores de seu tempo.
Com a crise de 1929, a Segunda Guerra era só uma questão de tempo.
O curto período entre as duas guerras, conhecido como ''anos loucos'', foi uma fase
marcada pela ânsia de viver freneticamente.
Aproveitar o hoje, o agora. Era uma necessidade, já que a Fumaça Negra que pairava no ar, tinha lançado
no espírito humano a incerteza sobre a permanência da paz.
Belle Époque.
Surgiram então, na Europa, vários movimentos artísticos conhecidos em seu conjunto como Vanguarda.
Tendências que refletem a inquietação, o dinamismo e as contradições do período.
O intuito era chocar a opinião pública.

Cronologia: Futurismo / Expressionismo / Cubismo / Dadaísmo / Surrealismo


Desorganização proposital da cultura e arte produzida até então.
Penso que o movimento vanguardista também está associado diretamente a natureza humana desde os primórdios.
No entanto, chega um momento em que gritar já não adianta.
O que faremos então?

(Edu Neves)

O Bolero de Jeff Beck

Geofrey Arnold Beck, nascido em 24 de junho de 1944.
Guitarrista britânico.
Sonoridade influente dos anos 60.
Assim como a maioria dos músicos de sua época, Beck
começou como guitarrista de estúdio.
Em 1965, entrou para o Yardbirds, depois que Eric Clapton
deixou o grupo.
Mal sabia ele que, dezoito meses depois teria que sair também
devido principalmente aos problemas de saúde derivados do álcool.
Os anos passaram e Jeff tentou obter algum sucesso com sua banda.
Porém seu som não era considerado muito comercial, embora os álbuns vendessem bem.
O reconhecimento de fato, só iria surgir em 1975 com o álbum Blow by Blow.
Músico virtuoso, ele sempre fez questão de usar a fusão Jazz / Rock and Roll em seus discos, dando um toque pessoal.
Uma curiosidade que pouca gente sabe, é que Beck teria sido cogitado a participar da banda Pink Floyd.
Mas acabou não sendo chamado. Roger Waters mais tarde, disse que seria muita pretensão convidá-lo. E eu tenho que concordar.
Nada contra o Pink Floyd, que fique bem claro.
Beck atualmente continua a gravar e lançar seus discos esporadicamente.
Beck, um sujeito pretencioso, mas sem a pretensão britânica que assombra o mercado.
Mecânico e restaurador nas horas vagas, tem um pequeno hobby.
Colecionar carros antigos.
Barganhou o álcool pelos carros.
Foi uma boa troca?!
Foi. Pelo menos até ele começar a flertar com a música eletrônica...
No entanto, continuo fã.
Long Life, Jeff!

(Edu Neves)




A Última Valsa Suburbana

Sábado.
Devia ser umas 20:30...
Não me lembro. Só me lembro ao certo do que houve alguns instantes depois.
A sofisticação na verdade é simples. Já diria o genial Stan Getz.
O que ocorreu foi o seguinte: Estava eu na cozinha fazendo um café amargo, quando ouço a voz de um fantasma, que chegava a ser filha da puta, de tão familiar. Os passos se aproximaram e ficou claro que não era um fantasma. Era o nosso amigo Will. Jesus Cristo! Will é o tipo de sujeito que faz você se sentir em casa de verdade. Trouxera consigo, algumas cervejas e duas garrafas de vinho que fiz questão de beber imediatamente. O mestre B.B. King estava fazendo a cama para nós. Três desajustados noturnos aproveitando a vida como se estivéssemos em Las Vegas. Palavras jogadas ao vento e aos itinerários madrugada adentro. O sabor do Nordeste invadiu a nossa sala com as peripécias de Lisbela e o Prisioneiro. Bebidas ao meu encargo, devidamente guardadas e apreciadas, gelavam ao som da voz do fantasma camarada. Quando a gargalhada de Saturno enfim cessou, o fantasminha me solta a seguinte pérola: ''- Sabe, houve um tempo em que o Seu Lisinho chegava ao Bar da Dona Sônia e pedia dez doses de cachaça. Depois de servido ele dava a volta no quarteirão em um minuto e voltava ao Bar. Pedia mais oito. Bebia e saia. Contornava o quarteirão novamente, dessa vez em dez minutos e voltava. Pedia seis doses dessa vez. Bebia e saia. Contornava o quarteirão e dentro de meia hora voltava. Pedia mais quatro doses. Bebia e voltava. Pedia duas doses. Bebia e voltava. Cada vez demorando mais tempo para retornar ao Bar. Finalmente, ele chega ao Bar altamente embriagado e pede meia dose para a Dona Sônia. Depois de servido, ele finalmente se vira para os amigos e diz: Por Deus!!!!!!! Quanto menos eu bebo, pior eu fico!''

Foi realmente uma pérola.
E o pior é que essas coisas acontecem de fato.
Obrigado pela noite, Will.


*Tome cuidado com as mulheres idosas. Elas chegam de lado. E se prostam na sua sombra. Como se fossem sirís dançando a marchinha de Carnaval.
Olha a cabeleira do Zezé!

(Edu Neves)



sábado, 26 de novembro de 2011

Déjà Vu

Madrugada.
Estava sem dormir há dois dias.
A falta de apetite era só mais um agravante.
O espelho do banheiro me trazia de novo a sensação de repulsa.
Ainda assim, evitava encará-lo. Encarava o espelho.
Não. Não era o espelho. Era a luz refletida no espelho.
O que o espelho me devolvia, era um rosto magro, fundo e encovado, deixando transparecer as olheiras fúnebres. Sinais vitais de insônia.
Volto para o meu chão. Um vento gélido faz com que a cortina azul se transforme em esculturas móveis. Estátuas distorçidas pelo capricho da natureza.
Outra coisa que o vento sempre traz consigo, é a noção de tempo. Levaria alguns anos para perceber isso.
Então me lembrei do rosto. O rosto apático que me havia ter tido ânsia de vômito. O meu rosto.
Finalmente consegui fechar os olhos e permanecer imóvel por alguns minutos.
Sonhei com um índio. Um velho curandeiro.
Talvez não tenha sido um sonho. Gosto de acreditar que foi um último adeus.
Uma despedida com sabor amargo e uma fragrância doce.
Me levantei de repente, sentindo o hálito do velho. Um odor terrível que a inércia da doença causa.
Um bônus da fatalidade.
Então, liguei a TV. Um idiota qualquer descrevia minuciosamente como seria o rosto de Cristo nos dias atuais.
Aquilo me fez pensar na incapacidade misericordiosa do tempo. No outro canal clandestino, passava um filme do qual não me lembro o nome. Diabos! Deixei naquele maldito canal e abaixei todo o volume. Ativei a legenda automática e me sentei na poltrona para assistir aquilo que me parecia ser a coisa mais sem sentido que poderia haver, Aos poucos, fui reparando o modo como a trama se desenvolvia. Uma história em tempo real. Os artifícios do anti-herói eram bastante peculiares. As atitudes do personagem me era familiares. O simbolismo usado no filme, certamente teria me agradado, se não fosse tão carregado com apelos comerciais.
Olhei de relance para o lado e vi que Melinda dormia. Sua pele era macia, bronzeada e cheirava à vinho tinto. Seus poros exalavam o pecado. Fui vê-la de perto e com mais atenção. Queria congelar aquele corpo.
Investigar e descobrir o que daria prazer ao corpo de malte. Ela dormia profundamente, mas um sorriso aflorava de seus lábios. Talvez estivesse sonhando. Era bastante fraca para bebida. Estaria sonhando comigo? Não creio. Era um sorriso malévolo. Era um sorriso com o qual eu jamais iria me acostumar.
Tínhamos ido a uma festa. Um ambiente provinciano em que a maioria das almas pálidas se davam ao luxo de representar. Geralmente a ala masculina conversava a respeito de mulheres, enquanto a ala feminina era tomada pelo tédio. Bebemos além da conta, quando não podíamos.
Melinda continuava linda, dormindo com o mesmo sorriso infernal que eu odiava. Respiração precisa.
Seu ventre descoberto era convidativo, mas então algo me ocorreu. Senti novamente o hálito do velho. Procurei em vão um número de telefone. Evitei acender a luz para não acordar Melinda. Encontrei o número e fui para o banheiro. Dessa vez, não encarei o espelho. Havia uma mensagem no celular. Uma mensagem que iria me atingir como um Trem. Demorei a compreender o significado daquele jogo de palavras. Uma hora se passou, sem que me desse conta de um fato irreversível. Não foi um sonho. O velho havia falecido. O velho deixou de lado a ferrugem da armadura para ser livre em outra dimensão.

Amanheceu
Os demônios ainda estão escondidos no quarto
As pedras do Arpoador estão dentro do meu sapato.

(Edu Neves)



sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Rugido dos Anos 60

Poeta
Dramaturgo
Ensaísta
Leão da Contracultura
Performances poderosas e poemas que dão destaque a Natureza e novas formas
de Percepção. Liberdade sexual. Expansão da consciência.
Catalizador das emoções enclausuradas.
Ativista.
Perseguidor distinto da farsa do Sonho Americano.
Tradicionalista libertário da poesia.


Michael
               Mc
                        Clure


Estreiou como poeta na primeira vez que os Beats se reuniram
em San Francisco para uma leitura na Six Gallery, em 1955
Allen Ginsberg estava lá com os olhos abertos e os punhos fechados.
Palavra associada a um interesse pela natureza de forma romântica. BEAT.
O Jazz, o Blues e o Bebop foram gêneros que deram a certeza lívida
de que a poesia tinha que se manifestar através da música também.
Assim, houve um aguçamento da importância da cultura negra.
A consciência poética era física. Quando ela se movia, dançava.
Poesia gestual. Mesmo impulso visto em Kerouac.
Construção da autobiografia do espírito.

(Edu Neves)


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Clichê de Monteiro Lobato

Eu jamais creditei a Santo Agostinho, um dos sábios da Igreja Católica, a descoberta
do fato de ler sem enunciar as palavras. Porém, tomei conhecimento desse feito
através de uma mídia impressa. A vida é demasiadamente irônica ao nos esfregar na cara,
verdades encobertas por nossa própria ignorância e falta de estímulo.
Houve um tempo, em que os textos eram murmurados, assim como fazem as crianças recém-alfabetizadas. O Homem Santo
decidiu escutar a sua voz interior e então, leu as Cartas de São Paulo que constam no Novo Testamento.
Com o passar de milhões de anos, as pessoas continuam tendo na leitura, uma fonte de prazer intelectual e estética, além
de um caminho mais seguro para o progresso pessoal. Portanto, eu afirmo, que mesmo vivenciando um pleno arrebatamento da era digital, ler
continua sendo essencial.
Com o surgimento de parafernalhas digitais, as projeções pessimistas sobre o fim da figura do leitor, foram inúmeras. E ainda resistem. Pairam no ar. Acredito
que o incentivo na maioria dos casos, deveria partir dos pais. No entanto, não é uma regra. Ainda me recordo quando fui diretamente apresentado a Literatura.
Minha mãe sugeriu que eu lesse O Pequeno Príncipe. Lugar comum, eu sei. A princípio, olhei o livrinho com rabo de olho. O peguei, mas larguei quase que imediatamente no sofá.
No fim, decidi dar um crédito ao livrinho tosco e pálido. Li as primeiras cinco páginas e achei entediante. Insisti ainda assim. Cheguei a vigésima página com um entusiasmo
jamais obtido com o desenho animado de mesmo nome, que eu assistia religiosamente, por sinal.
Tendo chegado ao fim, uma sensação de leveza. Leveza e culpa.
O livrinho inútil de antes, havia agora se tornado filosofia de vida.
E então, eu criaria o meu próprio planeta B-612.
Juntaria um qualquer para comprar um cometa...


(Um País se faz com homens e livros - Monteiro Lobato)

(Edu Neves)



quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Where my baby stays

Maybe now you can't hear them,
but you will when you be stoned.
Will i be truthfull...
You burn me up.
Then come across to me.
Give me your magic rings.,
And let's get out from here.
That world is measly.
You know you are a little lovemaker.
You got to be all mine.
Are you willing?
You Know what i'm trying to say.
To caress a kiss
To caress a kiss
Oh damned! I wish i could.

(Edu Neves)


Um Sonho Azul

Venha e me diga que a Lua ficou mais bonita.
Pois essa noite eu sonhei com os meus tempos de menino.
Eu vi a garota bonita de cabelos amarelos me olhando naquela tarde sem nuvens.
As ciências não são exatas ao nosso Coração.
Não me importam os cérebros imaculados de Eistein.
Quando eu fico com a minha garota de cordas de aço, seu gemido distorçido me leva
até o alto para dançar com as estrelas.
E então os ventos do Norte me sopram as lembranças de um futuro distante
no qual estarei de braços abertos esperando por uma sombra do teu sorriso.
Venha, mas venha antes que eu acorde.

(Edu Neves)

Poema de uma Rosa Branca

Os meus passos no deserto se perderam
no labirinto dos seus olhos.
A brisa sobre o meu corpo é um vestígio que você
deixou entre tantos outros sorrisos.
A luz que irradia dos seios nús me devolvem
a esperança da paz que nunca vivi.
Se eu pudesse, me afogaria nesse oceano.
Seria o meu passa-porte para o oásis em que
vive a minha Rosa Branca.
Pois entre os leões ela dança sensual e livremente.
Sem medos...
Dance comigo brisa suave do inverno.

(Edu Neves)


Poema de Esquerda

Jamais pensei que seria assim tão de repente
A vida coloca as cartas na mesa, e você tem achar que e um presente.
Meu time sou eu. Acredito que eu possa virar o jogo erguendo minha fé.
Depois disso não resta nada.
Mas ainda falta alguma coisa.
Falta uma letra a ser escrita.
Falta uma música a ser feita.
Falta acabar com a direita.
Viver do outro lado é não existir. É só concordar. Custe o que custar.
Custe a minha vida, a sua, a do seu irmão, a da criança que acaba de nascer.
Quanto mais olho para o outro lado, mais sinto que o outro lado é a guerra.
Mais o sonho ainda existe. Ainda existe o brilho de uma nação já sem esperanças.
O coração ainda bate diante dos primeiros versos.
Ainda resta o fôlego.
Ainda respiramos.
Estamos vivos.

(Edu Neves)


O penúltimo Trem

Esperando por uma vaga no Trem de carga desumana,
sonho com o Match Point.
Não sei quem conduz a máquina.
Acho que é o dono da Rua 66.
As pegadas por aqui não levam ao caminho
da maçã mordida.
Por favor, tragam as roupas a prova de fogo,
ou tragam icebergs internos.
O maquinista está sob o efeito do frio
da ''neve'', dançando e se movendo
feito um tigre branco.
Nos trilhos negros e mortos, nascem rosas
púrpuras que iluminam o céu cinzento.
Um velho lê um livro secreto no último vagão.
Ele possui a chave que abre o Portal azul.
Braços se abrem, olhares se cruzam...
Formalidades...
Fim da viagem.
Não há mais neve.
Agora tudo está sereno sob o sol
de um Deserto fantasma.

(Edu Neves)

Júlia

Júlia, a doença que não tem cura.
Ela te mata de prazer e luxúria.
Ela bem sabe o que quer. Não é apenas uma mulher.
Também é uma criança, que te seduz com uma dança.
Teu veneno não mata, mas deixa inconsciente.
Ela é uma mosca a te olhar pela fechadura.
Todos os pecados, todas as loucuras.
Ela seduziu o diabo e depois o esnobou.
Pois o achou muito careta.
Ela te faz beijar a lona, quando você está por cima.
Antes de pensar no verso, ela já sabe a rima.
Cuidado amigo, não morda a maçã!
Ela te deixa viver hoje...
Mas talvez queira te matar amanhã.

*Dedicado a Júlia. Uma garota que considero a verdadeira Foxey Lady.

(Edu Neves)

Amsterdark

I hope you brought your magic rings
The Midnight Express is coming
The red women are nacked
And you can't to blame yourself if by the way you
fall in love.
There Should be white roses over there.
There should be wild riders over there.
While right here, there is a lot of
cannibals waiting for some dessert.
Girls full of daring
Well, they are talking about a secret capsule.
Yeah, you know were i was yesterday.
In a damned room with a black butterfly.
I got to cut off her wings.

(Edu Neves)

A Morte encontra o Soldado

Oh Senhor, meus irmãos me desconhecem.
Sinto frio Senhor...
O interior da armadura é tão gelado.
Gostaria de estar nos braços da cigana de cabelos prateados.
Leões cruéis estão a espreita.
Rondando dia e noite o meu quintal.
Eles querem levar um dos meus dois corações.
Senhor, eles podem levar meus corações, contanto que deixem a minha alma em Paz.
Bombas nucleares de empatia aos corações nazistas.
Levantem da cama e digam bom dia aos bebês solitários.
Ou então durmam bem...
Pois algo os espera no Subsolo.

(Edu Neves)

Quatro Lados

Cosmos ousados reposam nos anéis de Saturno com volúpia e dividem a Via Láctea em quatro lados. Tudo tem quatro lados. Seus seios, seus lábios entorpecentes. Minha solitária garrafa de vinho me esperando no fundo do porão escuro. Seu coração intragável borbulhando absinto, já não há mais oxigênio nas suas teorias. Mas ainda há tempo para ser salva. Não há lugar para perder a cabeça.

(Edu Neves)

LSD (Love, Sex & Drugs)

Vem para o meu mundo, Doce Jasmim louco de ácido. Quero te vestir com o meu amor e te despir com minhas mãos. Seria eu digno de lhe beijar sem mordê-la? Seria o inferno nosso Éden? Quero o seu ventre macio e seco por debaixo do meu peito nublado. As suas pernas se entrelaçando junto à serpente fortuita em meio ao desconhecido. Você está convencida de que sou imortal, querida? Jamais te venderam porções de dignidade em uma caixa de plástico? Eu nâo tenho dignidade. Tenho apenas o amor contagiante e poderoso de minhas fantasias submersas.

(Edu Neves)


Apache

Os pés descalços caminham em minha direção; O mestre de cerimônia toca a sua flauta doce e invoca a entidade do Leste. Meu punho serra e meus olhos já cerrados contempla a exuberância da serpente do deserto. O velho índio amargo bebe seu peyote e me dá a chave para o décimo nono portal. Me embriago com as índias virgens e beijo o seio nu da meretriz de prata com cabelos vermelhos. Amanhã estarei limpo. Sem vestígios imaculados.

(Edu Neves)


Ode aos Vampiros

Ópio em meus pulmões dilacerados. Teu corpo tem memória infinita? Suas roupas de baixo ainda estariam no meu armário? Quero ser o beija-flor noturno que te morde toda noite. Você traria o seu amor e me daria de olhos bem fechados? Eu já suguei todo o néctar da sua laranja. O seu espírito é meu agora, já que seu corpo sempre tive. Os cavalos alados estão no porão bebendo vinho e jogando Black Jack. Só volto aqui com uma condição: Deixe-me em paz e respeite o branco que transparece em minha fronte.

(Edu Neves)

Hurricane's Wind

Calças de couro de cobra. Cabelos iluminados pela neve branca e vermelha. Cinto semi-aberto. Os passos caminham lentamente à sua volta. Minhas pegadas de lagarto secam as suas lágrimas. Sou latino-americano e não acredito nos seus demônios. Só acredito nos que jogam os dados. Meu alvo é a sua má sorte no amor. Lhe direi que tão somente em mim adentras sempre ao me fitar com esses olhos demoníacos. Qualquer dia desses ainda te corto em pedacinhos.

(Edu Neves)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Danger

Os leões te esperam e aguardam o alvorecer. As suas presas estão ávidas por sangue. A doce vingança é um copo de vinho pela metade. Mas seu gozo eterno e juvenil ainda está impregnado em meu corpo. Suas vísceras ainda me consomem na meia noite clara. Noite de sol nascente. Quero te ter agora, Sol, somente.

(Edu Neves)

Você morre. Ainda assim, vive.

Durante o nevoeiro nas fatais cordilheiras da Espanha, seu rosto era tudo que eu via. Nada de novo no Front, a não ser as bromélias que morriam a cada dia. Seu semblante imperfeito me matava cada vez que me fitava. Doce coração, amor no peito. Açoite em minhas costas. Tudo era dor. Mas as bromélias continuavam morrendo. Apenas eu vivi.

(Edu Neves)

Mrs. Valentine

Patty Valentine era seu nome. Pele alva e olhos assassinos. Sentada no meu colo bebendo Whísky e tragando pesadamente seu ópio, ela estaria a se debruçar nos braços de outro desajustado noturno? Minha luz não tem clarão, só preciso quebrar a aurora em que criaste nossa prole. Venha comigo até os confins sagrados da Saturno.

(Edu Neves)

A Estrela Cadente no meu bolso

Você sorriu.
Não saberia dizer se para mim ou de mim.
Mas os olhos...
Os olhos eu sabia que me fitavam de alguma galáxia distante.
Não era cópia da cópia...
Nunca foi e nunca será.
Tem lugar de destaque.
Nos meus olhos...
Em minhas mãos...
No meu lado esquerdo do Blues vivo.
Tenho que atravessar o Rio de Cólera. Porém dessa vez, estou
bem acompanhado.
O seu distintivo assusta os meus demônios...
Seu escudo é a alma de menina.
Faz sorrir...
Faz chorar...
Mas permanece jovem, pura, linda...
Viva sempre...
Morra sempre...
Volte sempre... Pra mim, em mim.

(Edu Neves)

Queime a sua Brasa

Queime a sua Brasa
Antes que o fogo te queime
Queime a sua Brasa
Antes que o fogo te queime
Abaixe a guarda e guarde suas armas
Não tema o abismo
Sua obra-prima é o teu sorriso
Volte pra casa
E me conte uma história
Volte pra casa
E me conte uma história de amor
Coração solo
Sem asas nas costas
Não vire as costas pra mim

(Edu Neves)

Devaneio (Parte 1)

Da janela posso ver o coqueiro verde que brota do mármore frio desse latifúndio branco.
As nuvens ocultam asas metálicas que voam para o centro da América do Sul.
Os mentores entoam seus hinos e ditam suas regras.
Regras de conduta para diamantes brutos.
Água limpa e fresca.
Flores mortas, incautas, cheias de si...
Consumidas pelo pecado.
Aqui onde as chaves só abrem portas. As mentes tendem a rumar para a escuridão.
Interrogação... (?)
Afirmação... (!)
I will...
I'm gonna take a peace of the land
The Land i'm livin'
The Land make dreams come true
It's not just my Imagination, man...

(Edu Neves)


O Reino Encantado da Princesa Pálida

A jovem Rainha deu luz à uma garota pálida que vivia de sonhos e fugas
Tinha uma cabeça boa, eu pensei que me amava. Ela quase não chorava.
Um dia o Rei a encontrou sozinha em seu quarto escuro.
Algo estava errado.
Não sei o que ele disse, mas ela chorou depois de rir sutilmente para o espelho.
Lágrimas queimavam-lhe o rosto como o vento do Deserto.
Ela se deitou. No fundo, sabia que eu não estaria por perto.
O Bobo da Corte riu da minha cara e então eu percebi que era o fim da linha.
Garota de sorte, pensei.
Não é todo mundo que tem uma Fada Madrinha.
Hoje em dia eu durmo sem fazer força pra sorrir.

Still Alive and Well...

(Edu Neves)


Garota ao Sul do Norte

Te mandei uma carta
Mas a carta voltou
Coloquei o chapéu e segui viagem
Fui para o Leste e vi o Sol nascer
Vi tudo o que tinha pra ver

Teu sangue no chão
Mostrando a direção
Oh, Garota do Norte
Você não teve mesmo muita sorte
Mantenha o coração forte

Teus olhos ainda choram ao ver o porto
Porto Seguro do meu amor bandido
Cavalo de Prata mordeu a mão do homem rico
Carcará em chamas te deixou órfã
Não chore, Alice. Ainda tenho um revólver.

Teus passos na escada
Tua voz ao telefone
Teu rosto no espelho
Teu esmalte vermelho
Minha esfinge, teu desejo

(Edu Neves)




*Alusão ao Disco (?!)
*Folk Nordestino

Melodia do Ventre Cósmico (Dedicado a minha Mãe)

Vim daí
Vim dar nisso aqui
Vim de ti
Vim do Amor
Vim da ira do Dragão Azul
Nasci Blue

Vim como lágrima
Vim como riso
Vim como brilho
Vim veloz
Vim fortuito e sorrateiro
Nasci estrangeiro

Vim de Madrid
Vim da Índia
Vim daqui e dali
Vim de um grito franco
Vim da juba do Leão Branco
Nasci nos quatros cantos

Vim do Sertão de Veredas
Vim das Selvas Nordestinas
Vim da cidade de Los Angeles
Vim das margens do Mississipi
Vim dos Andes
Nasci errante

Vim agradecer a dádiva
Vim dar um aperto de mão no viajante louco
Vim brindar a tempestade
Vim correr do tempo
Vim repartir os pães
Nasci de você, Mãe

(Edu Neves)



Dark Night's Blues

Eles são os donos da noite
Jovens solitários, donos da noite
Doces vagabundos noite adentro
Don Juan fazendo amor
Casanova bebendo

O velho Willie olha para o céu negro
A através da cegueira, avista Saturno
A noiva despida acenou da janela
E o príncipe lançou a flecha
E a Besta seguiu a seta

Na minha estante, um troféu
Campeão Mundial
Destruidor de corações aflitos
A chuva forte que machuca o rio
A dor estampada em meu grito

Sua mão afaga a arma quente
Enquanto o baseado me entorpece
Mente com mentiras opostas
Mente sem chave na porta
Andarilho na estrada torta

(Edu Neves)


Mar Aberto

E os dias sombrios continuam pairando
A nuvem carregada de lágrimas do Senhor do Trovão está sob nossos pés.
Irei até o porto me atracar com o velho navio desgastado pelo tempo e pelo sal.
Leve-me de volta aos olhos da doce meretriz. Pele alva, olhos vermelhos, corpo faminto e boca sedenta.
Semana que se aproxima, já morto estarei.
Palavras vazias de superfície oca.
Os bravos navegantes confinados estão limpando o convés.
A rebelião começou, Capitão. Não há mais volta.

(Edu Neves)

Quando eu era rico

Quando eu era rico, era perdido
Os diamantes cortavam meus pulsos toda noite
Os gatos com seus olhos de Raio X me fitavam através da muralha sólida da falsidade.
E então, aprendi a respeitar os felinos
Devo confessar que a princípio, os leões domésticos não me passavam muita confiança.
Talvez isso seja o que eu chamo de complexo de Jesse James.
Dentre dez mil homens, confio em dois. E até mesmo com esses dois, estou sempre esperando o pior.
Uns diriam que é simpatia pelo caos.
Eu já não acredito em denominações. Pode ser um mecanismo de defesa.
No meu caso é mais complicado, já que a minha defesa é inconsciente.
Os grilhões que forjam a nossa mente provam que as consequências de uma ''Fotografia'', irão depender do estado consciente da alma de cada um.
Quando eu era rico, era pobre.
Hoje enxergo.
O caos proporciona milagres.

(Edu Neves)



segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A Cor do Sul

Estados Unidos

4 de Abril / Morre o senhor Martin Luther King
Village - Generation Club

BB King está chorando ao lado de Buddy Guy.
Camaradas do Sul, se apoiando um ao outro. Mas agora
com Luther King morto, Jimi Hendrix lia nos olhos
deles a cor púrpura e a dor. E ele a sentia.
Eles compartilhavam a dor que tantos como eles
estavam sentindo ao redor do Mundo. Uma cortina pendia no
ar, no coração uma umidade pesada. Chorar era fácil
demais, mas era mais do que isso.
Não era uma dor momentânea mas uma realidade morta.
Um assassino no mundo livre.
BB King e Buddy Guy fizeram Jimi Hendrix se sentir uma criança.
Eles já não tem idade ou coisa parecida.
No salão escuro, dentro do chão há um silêncio, uma ausência
de movimentos. Ainda assim, em momentos como esse,
tudo que você deseja é estar em casa, onde o seu
pessoal está. Luther King tornou possível que o
Village fosse a casa dele.
Não havia nada que eles pudessem fazer além de tocar.
A música é um alto Blues gospel dirigido para o Céu.
Os solos decolam. Há uma libertação. Eles tinham que tocar.
Improvisaram um Blues de 30 minutos de duração, dentro
da noite fria de Manhattan, três guitarras arrancaram
emoção pura dos rostos de luto diante deles.

(Edu Neves)



Country Mountain

Segredos compartilhados
Guardados, aflitos
Segredos não ditos

Terra marítima
Espaço sideral, fumaça límpida
Água negra, sede de sal

Chapéu de feltro
Corpo jogado na cama
Alma vagando à noite no topo da Montanha

Cavalo enevoado, faminto
Louco de cólera
Galope indefinido

Madrugada baixa
Manhã do desencanto
Brilho da chuva, lama rasa

(Edu Neves)

Silêncio, Paz do Desespero...