quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Clichê de Monteiro Lobato

Eu jamais creditei a Santo Agostinho, um dos sábios da Igreja Católica, a descoberta
do fato de ler sem enunciar as palavras. Porém, tomei conhecimento desse feito
através de uma mídia impressa. A vida é demasiadamente irônica ao nos esfregar na cara,
verdades encobertas por nossa própria ignorância e falta de estímulo.
Houve um tempo, em que os textos eram murmurados, assim como fazem as crianças recém-alfabetizadas. O Homem Santo
decidiu escutar a sua voz interior e então, leu as Cartas de São Paulo que constam no Novo Testamento.
Com o passar de milhões de anos, as pessoas continuam tendo na leitura, uma fonte de prazer intelectual e estética, além
de um caminho mais seguro para o progresso pessoal. Portanto, eu afirmo, que mesmo vivenciando um pleno arrebatamento da era digital, ler
continua sendo essencial.
Com o surgimento de parafernalhas digitais, as projeções pessimistas sobre o fim da figura do leitor, foram inúmeras. E ainda resistem. Pairam no ar. Acredito
que o incentivo na maioria dos casos, deveria partir dos pais. No entanto, não é uma regra. Ainda me recordo quando fui diretamente apresentado a Literatura.
Minha mãe sugeriu que eu lesse O Pequeno Príncipe. Lugar comum, eu sei. A princípio, olhei o livrinho com rabo de olho. O peguei, mas larguei quase que imediatamente no sofá.
No fim, decidi dar um crédito ao livrinho tosco e pálido. Li as primeiras cinco páginas e achei entediante. Insisti ainda assim. Cheguei a vigésima página com um entusiasmo
jamais obtido com o desenho animado de mesmo nome, que eu assistia religiosamente, por sinal.
Tendo chegado ao fim, uma sensação de leveza. Leveza e culpa.
O livrinho inútil de antes, havia agora se tornado filosofia de vida.
E então, eu criaria o meu próprio planeta B-612.
Juntaria um qualquer para comprar um cometa...


(Um País se faz com homens e livros - Monteiro Lobato)

(Edu Neves)



Um comentário:

  1. Você escreve maravilhosamente bem, Eduardo.Esse texto em particular, acho que pelo tom nostálgico da infância, foi o que mais me chamou atenção. Meus sinceros parabéns.


    PS:E quem sabe durante o trajeto não encontramos uma raposa? (:

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