quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O penúltimo Trem

Esperando por uma vaga no Trem de carga desumana,
sonho com o Match Point.
Não sei quem conduz a máquina.
Acho que é o dono da Rua 66.
As pegadas por aqui não levam ao caminho
da maçã mordida.
Por favor, tragam as roupas a prova de fogo,
ou tragam icebergs internos.
O maquinista está sob o efeito do frio
da ''neve'', dançando e se movendo
feito um tigre branco.
Nos trilhos negros e mortos, nascem rosas
púrpuras que iluminam o céu cinzento.
Um velho lê um livro secreto no último vagão.
Ele possui a chave que abre o Portal azul.
Braços se abrem, olhares se cruzam...
Formalidades...
Fim da viagem.
Não há mais neve.
Agora tudo está sereno sob o sol
de um Deserto fantasma.

(Edu Neves)

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