domingo, 27 de novembro de 2011

A Última Valsa Suburbana

Sábado.
Devia ser umas 20:30...
Não me lembro. Só me lembro ao certo do que houve alguns instantes depois.
A sofisticação na verdade é simples. Já diria o genial Stan Getz.
O que ocorreu foi o seguinte: Estava eu na cozinha fazendo um café amargo, quando ouço a voz de um fantasma, que chegava a ser filha da puta, de tão familiar. Os passos se aproximaram e ficou claro que não era um fantasma. Era o nosso amigo Will. Jesus Cristo! Will é o tipo de sujeito que faz você se sentir em casa de verdade. Trouxera consigo, algumas cervejas e duas garrafas de vinho que fiz questão de beber imediatamente. O mestre B.B. King estava fazendo a cama para nós. Três desajustados noturnos aproveitando a vida como se estivéssemos em Las Vegas. Palavras jogadas ao vento e aos itinerários madrugada adentro. O sabor do Nordeste invadiu a nossa sala com as peripécias de Lisbela e o Prisioneiro. Bebidas ao meu encargo, devidamente guardadas e apreciadas, gelavam ao som da voz do fantasma camarada. Quando a gargalhada de Saturno enfim cessou, o fantasminha me solta a seguinte pérola: ''- Sabe, houve um tempo em que o Seu Lisinho chegava ao Bar da Dona Sônia e pedia dez doses de cachaça. Depois de servido ele dava a volta no quarteirão em um minuto e voltava ao Bar. Pedia mais oito. Bebia e saia. Contornava o quarteirão novamente, dessa vez em dez minutos e voltava. Pedia seis doses dessa vez. Bebia e saia. Contornava o quarteirão e dentro de meia hora voltava. Pedia mais quatro doses. Bebia e voltava. Pedia duas doses. Bebia e voltava. Cada vez demorando mais tempo para retornar ao Bar. Finalmente, ele chega ao Bar altamente embriagado e pede meia dose para a Dona Sônia. Depois de servido, ele finalmente se vira para os amigos e diz: Por Deus!!!!!!! Quanto menos eu bebo, pior eu fico!''

Foi realmente uma pérola.
E o pior é que essas coisas acontecem de fato.
Obrigado pela noite, Will.


*Tome cuidado com as mulheres idosas. Elas chegam de lado. E se prostam na sua sombra. Como se fossem sirís dançando a marchinha de Carnaval.
Olha a cabeleira do Zezé!

(Edu Neves)



Um comentário:

  1. dito e feito... a noite foi (e será sempre) com sabor de verdade, temperada com gargalhadas e um certo (?) teor alcóolico com a doce presença do black Will. Aguardando a próxima... será que o João Cachorro vem?

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