sábado, 24 de dezembro de 2011

O Outro Lado (Rompendo Através)

Véspera de Natal.
Época maldita. Dreams to remember.
Meus olhos se abrem lentamente com o peso dos sonhos lúcidos da noite passada. Me levanto semi-desperto e desço as escadas. Ninguém em casa. Volto ao quarto e dobro os lençóis decorados com motivos orientais. Abro as cortinas e olho para as nuvens carregadas de hipocrisia. Ainda assim, os pássaros cantam. Um canto triste. Um canto Blue.
Volto para o meu canto e trago o ópio da discórdia, enquanto ouço o som malevolente do órgão negro da igreja.
Bebo o café escaldante, me sento na poltrona e abro o jornal. Pelo menos terei um crime para comentar de noite, quando estiver bêbado o suficiente para dizer algo.
O café esfria e as lembranças entram pela porta dos fundos sem pedir licença. Penso que ainda é cedo e seco uma lágrima que cai dos meus olhos vermelhos.
Há algum tempo eu poderia olhar e sorrir para o velho que jogava sal grosso nas vísceras do animal morto. Hoje não há mãos trêmulas, nem dedos amputados e nem os cabelos de prata.
Corpo na Terra.
Alma vagando no outro lado.
E tudo que vejo são seus olhos claros.
E tudo que ouço são seus abôios de vaqueiro.
Comunicação (consciente?) entre corpo e espírito. Agora são as minhas mãos que tremem freneticamente.
Coração na mão.
Você pode me ouvir daí?
Diabos.
Dazed and Confused.
Dedilho no violão as dores da Espanha e espanto os demônios da sala.
Hell hound's on my trail. É assim toda noite.
Não sonho mais. Sou o sonho em carne viva.
Espero que a Fiesta seja boa e que todos aproveitem a véspera do amor assassinado.

Espero que chova bastante, pois Deus também chora.

(Edu Neves)



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