segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Paraná Beat

Descendende de poloneses e negros, Paulo Leminski Filho
nasceu em Curitiba, Paraná, no dia 24 de agosto de 1945.
Ex-professor de história e de redação em cursos pré-vestibulares, sua atividade
profissional concentra-se na criação e redação publicitárias, em sua cidade natal.
Seus primeiros poemas foram publicados na revista ''Intenção'', em 1964, então
porta-voz da poesia concreta paulista. Depois disso, muitos volumes de sua autoria vieram à luz,
entre os quais se destacam os romances ''Catatau'' (1975) e ''Guerra dentro da gente'' (1987).
Os ensaios intitulados ''Anseios Crípticos'' (1986) e os livros de poesia: ''Quarenta clics'' (1976),
''Não fosse isso e era menos/Não fosse tanto e era quase'' (1980), ''Polonaises'' (1980),
''Caprichos e relaxos'' (1983), ''Haitropikai'' (1985) e ''Distraídos venceremos'' (1987).
Destaca-se também como compositor, tendo criado várias letras e músicas, sozinho ou em parceria com
Moraes Moreira, Gilherme Arantes, Ivo Júnior e Itamar Assumpção.
Caetano Veloso, um dos intérpretes das canções de Leminski, assim se expressou sobre
''Caprichos e relaxos'': ''Esse livro de poemas de Leminski é uma maravilha, por que os poemas são muito sinéticos,
muito concisos, muito rápidos, muito inspirados.
Ele é um sujeito gozado. É um personagem muito único, no panorama da curtição de Literatura no Brasil.
Eu acho um barato. Leminski tem um clima de mistura de Concretismo com a Beat Generation, que é muito legal''.

O Paulo Leminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filha da puta
de fazer chover
em nosso piquenique

Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de tramsformar em raiva
Ou em rima.

Que tal se
fosse real
esse realce
que Gil se
viu viajou
se via Gil?

Pelo branco Magnólia
O azul manhã vermelho olha.

Nem toda hora
é obra
nem toda obra
é prima
algumas são mães
outras irmãs
algumas
clima

Você me amava
disse
A Margarida
A Margarida
é doce
amarga a vida

Tudo que li
me irrita
quando ouço
Rita Lee

Aqui, poemas para lerem, em silêncio,
o olho, o coração e a inteligência.
Poemas para dizer, em voz alta.
E poemas, letras, lyrics, para cantar.
Quais, quais, é com você, parceiro.

(Paulo Leminski)


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