sábado, 7 de janeiro de 2012

A Chuva Que Cai Agora

A chuva que cai agora, mais tarde será aurora
O vento que soprou ontem, hoje susurra o nome de Julia
As águas sob meus pés vão afundar esse pobre coração
Coração besta que coloca tudo a perder nos momentos cruciais

A chuva que cai agora, amanhã será uma flor brotando do asfalto
Os olhos que me fitaram ontem, hoje são lástimas
O cavalo que hoje flutua, amanhã não terá asas
E sem asas não se pode sobreviver na Terra

A chuva que cai agora, vai se estender por um ano inteiro
Os corpos estão sem os cobertores; vão morrendo lentamente
A cada minuto, uma molécula se transforma em Borboletas azuis
E a cada dia, estou menos satisfeito com toda forma de poder

A chuva que cai agora, amanhã será o açoite dos soberanos
As mãos estarão atadas, feito lábios costurados
A serpente irá se livrar das garras da águia
Vai caçá-lo e irá encontrá-lo, não importa quanto tempo levará

A chuva que cai agora, ontem era uma semente
Castiga o planeta horas à fio, e ninguém sente
Então me sento e olho para baixo
No chão que era limpo, fez-se lama

A chuva que cai agora são as minhas lágrimas
Gota d'água no deserto de cólera
Mate a minha sede, sede de qualquer coisa
Beberia o Rio de janeiro inteiro

A chuva que cai agora, vai cessar um dia
Nesse dia, serei cinzas lançadas ao mar
Cinzas jogadas na terra
Ajudarei a rosa branca crescer, e ninguém vai saber

(Edu Neves)


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