segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Em Memória Dos Que Não Tem Memória

Vocês não se lembram
Dos profetas que matamos
Ao longo dos anos...
Não se lembram de seus átomos

Vocês não se lembram
Do viajante solitário
Que nos pediu carona...
Não se lembram dos seus sapatos

Vocês não se lembram
Do vento selvagem
Que soprou uma canção em nossos ouvidos...
Não se lembram dos nossos sorrisos

Vocês não se lembram
Da época da inocência
Que nos foi roubada...
Não se lembram do reflexo na água

Vocês não se lembram
Do fio da navalha
Em nossa pele fria...
Não se lembram desse dia

Vocês não se lembram
Do contrabandista mexicano
Que nos vendeu ilusões perdidas...
Não se lembram da nossa hemorragia

Vocês não se lembram
Do vinho que nos foi prometido
Do milagre do pão...
Não se lembram de trancar o portão

Vocês não se lembram
Que o plano era perfeito
Até o dia em que o colocamos em prática...
Não se lembram da nossa tática

Vocês não se lembram
Dos conselhos do mestre
Mestre morto vale mais...
Não se lembram de deixá-lo em paz

Vocês não se lembram
Do ganhador da última loteria
Morreu de overdose...
Não se lembram de sua posse

Vocês não se lembram
Da dor que a gente sentiu
Quando nos negaram água...
Não se lembram de nada

(Edu Neves)


2 comentários:

  1. Belo, Edu!
    Beijo da Bia!!!!

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  2. Adorei, Eduardo!
    Adorei as idéias, as comparações e as rimas...
    Está mais maduro!!!
    Beijo meu lindo...
    Alice

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