segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Os Lunáticos Rejeitados

Mutantes

1966, São Paulo

Arnaldo, Sérgio e Rita decidem se unir musicalmente.
A fusão gerou um dos principais grupos de Rock brasileiro.
Foram inovadores ao usar o Feedback e a distorção nos estúdios coloridos.
Mesclavam a sonoridade crua do Rock and Roll com elementos temáticos brasileiros.
Outra característica da banda, era a irreverência.
Se antes dos Mutantes, o gênero no Brasil era basicamente imitativo, a partir do pioneirismo desses lunáticos, abriu-se o caminho do paraíso híbrido.
Em 1964, os irmãos Arnaldo e Cáudio César fundaram o grupo The Wooden Faces.
Um ano depois, conheceram uma garota braquela e ruiva com sotaque distinto e a intimaram a participar do bando.
Já em 1966, eles obtiveram certo sucesso, depois de gravarem um compacto simples pela Continental.
Em 1968, o trio assinou um contrato com a Polydor, graças a uma indicação do produtor Manoel Barenbein.
Assim, foi lançado de fato, o primeiro álbum da banda regado à viagens experimentais com sons pungentes das guitarras de Sérgio Dias.
Foi justamente nessa época que Caetano e Gil escreveram ''Panis et Circenses'' especialmente para os lunáticos.
Foi também nesse ano que a banda ficou mais próxima da Tropicália.
A fase progressiva veio em 1973, quando os Mutantes já sem a Rita Lee, gravaram ''O A e o Z''.
Todas as faixas desse disco foram compostas e executadas sob o efeito de ácido lisérgico, o que certamente desagradou a Polydor, que não aprovou o álbum, o considerou sem valor comercial e decidiu não lançá-lo.
Além de não comercializar o disco, a gravadora decidiu demitir a banda.
O álbum seria lançado somente em 1992 pela Polygram.
Os Mutantes continuaram ativos, porém Arnaldo, debilitado pelo uso contínuo de drogas (em especial LSD) e em depressão com o final de seu casamento, começa a apresentar comportamentos patológicos, colecionando sacos cheios de lixo.
Passou a se comunicar usando uma espécie de idioma inventado por ele e a fazer planos de construir uma nave espacial.
Arnaldo finalmente deixa a banda em 1974 obrigando Sérgio Dias a mudar toda a estrutura.
Em 1978, Arnaldo se reuniu com a banda como convidado especial em uma única apresentação, mas não aceitou o convite de Sérgio para voltar a fazer parte do grupo.
Com mais alguns desentendimentos, Sérgio decide terminar com o grupo.
O fim não poderia ser mais trágico: Apenas 200 pessoas compareceram ao último concerto do grupo em 6 de Junho em Ribeirão Preto.
Os Mutantes voltariam a ser notícia em 1992, quando os jornais divulgaram que o grupo iria retornar em sua formação clássica.
No entanto, era apenas alarde da mídia.
Em 2006, os Mutantes foram homenageados na mostra Tropicália – A Rrevolution in Brazilian Culture, no Barbican Hall, em Londres, o principal centro cultural da Europa. Alegando compromissos agendados na mesma data do convite, Rita Lee não aceitou o convite. Liminha também declinou. Sérgio Dias, Arnaldo Baptista e Dinho Leme (que não tocava profissionalmente há cerca de trinta anos) aceitaram. Ao grupo original, juntou-se a cantora Zélia Duncan no lugar de Rita Lee e músicos da banda de Sérgio. Todos os ingressos para o concerto foram vendidos antecipadamente, teve como banda de abertura o grupo pernambucano Nação Zumbi e do músico texano Devendra Banhart, fã incondicional dos Mutantes. A primeira apresentação dos novos Mutantes se realizou com grande êxito no dia 22 de maio em Londres e foi gravada para futuro lançamento em CD e DVD, pela gravadora Sony BMG. Depois do concerto em Londres, os Mutantes seguiram para temporada nos Estados Unidos. Eles se apresentaram no Webster Hall, em Nova York, no Hollywood Bowl, em Los Angeles, no The Fillmore, em San Francisco, no Moore Theatre, em Seattle e Cervantes Masterpiece Ballroom, em Denver – além de participarem do Pitchfork Music Festival, em Chicago. Ainda naquele ano, a gravadora Universal remasterizou todos os disco da banda dos anos de 1968 a 1972, fazendo uso das fitas originais.

(Edu Neves)



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