sábado, 18 de fevereiro de 2012

O Sonho Lúcido da Marijuana

Estavam sentados, conversando sobre algo fora do contexto real. O sujeito do chapéu branco o chamou para uma caminhada na enorme usina. Passados 20 minutos de passos curtos, chegaram ao penúltimo galpão. Estava escuro e fazia frio. Era inútil qualquer brasa. O velho tirou seu chapéu da cabeça e de dentro dele havia uns lenços de papel e algo embrulhado cuidadosamente.
Johnny olhou para o outro lado e começou a ficar inquieto.
Quando voltou a olhar em direção ao velho, não havia mais ninguém lá. Olhou para os lados, mas o velho estava atrás dele soltando uma fumaça em forma de cavalo alado.
Johnny tragou aquilo como se fosse algo inútil. E voltou a se sentar. Depois disso, o plano de Johnny foi alterado.
O Velho dessa vez havia desaparecido. Os bancos foram transformados em lagartos azuis e brancos.
A usina era agora, um enorme castelo de areia. Os superiores estavam patinando no gelo e entoando cantigas de cabaré.
O guarda noturno estava usando um enorme vestido branco e seus cabelos haviam crescido em questão de segundos.
Os carros dourados se desmancharam como plástico derretido e se tornaram leite condensado.
Mas Johnny ainda estava ali. Parado, no mesmo lugar. Disso tinha certeza. Ou não.
Então se beliscou com um alicate negro para ver se o mundo voltaria a ficar cinza novamente.
Os ecos dos minutos anteriores agora se faziam presentes. Lembrou-se do velho. Lembrou do maldito chapéu. Bebeu algo. Não se lembra, mas era Coca-cola.
Então tirou um cigarro do bolso. Sentiu o gosto de areia salgada. Minutos depois, poderia comer um elefante sozinho. Então um elefante listrado surgiu na sua frente e lhe fez uma oração.
Amém. Descanse em paz, filho.

Nos veremos nos próximos 30 segundos, disse o elefante.
Nesse momento, a luz havia acabado. E ocorreu um furto no enorme galpão. Mas ninguém viu, então não havia prova nenhuma. Apenas suspeitas circunstanciais. Furto sólido, para matar a fome. Fome de elefante.

A luz voltou dentro de 2 horas ou 30 segundos.
Então Johnny acordou em uma cama flutuante, dentro de um hospital e voltou ao trabalho.

(Edu Neves)


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