quarta-feira, 11 de abril de 2012

Amadores

Os lábios de Fel voltaram a sorrir
As mãos macias voltaram a pintar o Danúbio Azul
Os pés descalços voltaram a caminhar sob a areia quente do Saara
O rosto pálido voltou a corar
O coração voltou a bater
Os olhos voltaram a brilhar
As flores voltaram a brotar
A engrenagem voltou a funcionar
A trilha voltou a ser composta
Os corpos voltaram a minar vinho tinto

Os lábios de Fel me mordem agora
As mãos se tornaram um açoite
Os pés calejados estão gostando de andar a noite
O rosto está desfeito
O coração agora está em choque
Os olhos não veem mais nada além do corpo
As flores estão morrendo aos poucos
A engrenagem perdeu a razão
A trilha foi apagada
Os corpos cessaram no fim da noite

Os corpos estão quentes agora
A trilha é o lamento da Lucille
A engrenagem está mais leve
As flores estão ficando azuis
Os olhos estão vendo através da parede
O coração bate no peito e grita
O rosto não é mais a máscara de prata
Os pés agora usam All Star
As mãos são de veludo
Os lábios estão cobertos de mel

Os corpos estão saciados
A trilha agora é um caminho
A engrenagem é a hemorragia cálida
As flores estão mais vivas que os cães
Os olhos não choram mais
O coração vai saltar da ponte
O rosto se ilumina com o Sol nascente
Os pés estão no chão de algodão
As mãos se estendem sob a neve vermelha
Os lábios disseram que o amor é coisa de amadores

(Edu Neves)


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