domingo, 1 de abril de 2012

Exílio

Quem dera se Gil fosse o Tom que Chico experimentou
Bethânia iria caetanear o dia inteiro
Estava na Tonga da Mironga, mas Vininha me expulsou
As águas de março caíram em janeiro

Lembrei do Milton esquecendo
Esqueci do absinto que Ney me serviu
Entrei de fato no sonho que estava vivendo
E mandei Médici pra puta que pariu

Noel tossiu e riu
Bebeu de galope
Zé Geraldo nem viu
Que o cidadão teve sorte

Virei mutante pra ganhar a Rita
Ela não quis bailar comigo
Então lhe paguei uma birita
E fomos à procura de abrigo

Me escondi no bolso de Pixinguinha
Ninguém notou
Cartola tirou o espinho da rosa
E com muita galhardia, me espetou

Saí da birosca e fui pra casa
Cavaleiro andante em direção ao caos
A chuva caiu e eu sem capa
Caminhando numa viela atemporal

(Edu Neves)


Um comentário:

  1. Edu, esse seu texto é incrível, é claro pra quem conhece todos personagens dentro dele que vai entender a moral da história. Já li e reli esse texto, meus parabéns!

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