sexta-feira, 25 de maio de 2012

O Reflexo da Luz Azul

Toca
O toque dos seus olhos na minha pele
Grita
Um silêncio que por dentro ferve

Ama
A pitada de dor no seu sorriso
Clama
Por um abrigo

Ouça
O som da sua voz chorando Jazz
Salte
De uma nebulosa à cem mil pés

Pegue
O seu amor da bela época vanguardista
Misture
Com o meu Groove setentista

Corra
Do ladrão que rouba a sua alegria
Beije (me)
Antes que termine o dia

Acenda
A chama que há muito se apagou
Guarde
Todos os sonhos (Mesmo os que não sonhou)

Ande
Sem pressa e com ternura
Beba
Da mística fonte, a água mais pura

Case
Com a última guitarra em chamas
Mude
De endereço; que tal Alabama?

Sonhe
Com a realidade abstrata
Corte
Todo mal, corte feito faca

Viva
O sonho que John deixou para trás

Uma chance a paz

Deixe
Que as horas falam por si
Dream
A little dream of me

Esteja
Perto e presente
Fique
No meu mundo estranho (Pra sempre)

(Edu Neves)


quarta-feira, 23 de maio de 2012

A Neblina de um Presságio


Somos o pó maciço que Deus soprou na lua
A verdade encoberta em cada rua
Somos a discórdia ambulante flutuando no espaço
Somos o mais temível breu de cada buraco

Somos o filho pródigo das mulheres queimadas
A interjeição no final da noite calada
Somos o amargo do fel na língua do dragão
Somos os braços estendidos da nação

Somos a incógnita do futuro promissor
Somos o sorriso amarelo disfarçando o horror
A luz no fim do túnel apagando
O cavaleiro andante fumando

Somos a existência em seu ápice
O vinho tinto escorrendo do cálice
A chama do pecado consumida
Todas as ilusões que foram perdidas

Somos a próxima curva na estrada sem luz
Somos o primeiro feeling do último Blues
Somos o nosso próprio filho louco
Somos muito, nada é pouco

Somos o ouro roubado do bandido
O último grito no infinito
A corda bamba do trapezista
Somos o resultado de alguma pesquisa ilícita

(Edu Neves)


terça-feira, 22 de maio de 2012

A Última Gueixa Iluminada

No toque dos olhos rasgados
Com seu movimento sugestivo
Atraiu o tigre branco com seu meio sorriso
E curtiu a dor embriagada de Cristo

Subiu a montanha elevada
Olhou da sacada do prédio e viu a onda que tudo encobria
Meu som, minhas rimas
Tudo fluía

Seus passos largos corriam em volta do oceano
Corriam para qualquer canto
Canto dos deuses pagãos
Dança de cigano

Atirou seu corpo frágil contra a fúria da tempestade
E apareceu do outro lado da cidade
Trazendo rosas vermelhas
Me deixando à vontade

Atravessou a avenida num tapete voador
Me emprestou seu cobertor e apagou as luzes
Se deitou ao meu lado e cantou
Cantos de outras vidas, outros amores; cantou quem sou

Me pintou de azul em sua tela imaculada
Me fez parecer anjo
Ilusões orientais
Mágica linguagem de sinais

Minha metáfora perfeita vive do outro lado do Rio
Maldito Rio que esconde cicatrizes em cada bar escuro
Breve e infinito é o Rio sem cor
Cinza pálido com necessidade de amor

Futuro imperfeito de cabelos lisos
Fotografia revelada do último lírio
Grande jogada sem o blefe mortal
A agonia silenciosa é um pecado capital

Futura esposa do imperador
Seus sonhos se tornam reais quando olha para o palhaço
O grande poeta do riso
Se aposentou e já não corre mais riscos

Na estrada mais uma vez
Em uma vida que não é normal pra vocês
Dedico essa canção assassinada
Para a última gueixa iluminada

(Edu Neves)

Fotografia: Vanessa





sábado, 19 de maio de 2012

Horário Nobre

Tv, eu te assisto
Ou é você que me vê?
Me olha com a sua boa memória, esperando...
Esperando por respostas
Tv, me coloca num filme caótico e ardiloso.
Selvagem e sádico é o pianista, dono do concerto que a gente paga pra sofrer.
Tv me mostra a borboleta flutuando em slow motion.
Entendo nada de tudo que é belo.
Sou o meu único pesadelo pintado de amarelo.
Tv me faz adormecer no castelo.
Deitam sobre mim as lágrimas do último verão.
Reine
Brilhe e comande
Mrs. Capuleto, não quero a sua mão.
Devolva o que é meu
Tv, me permita duvidar de você.
Me dê mais de uma opção
Mais de um coração
Me dê o mundo, devolva meu chão
Me dê tudo que não tenho em mãos
Tv, ninguém precisa sofrer
Basta não te ver

(Edu Neves)


From me to George

Hey, man.
Are you fine? Well, i hope you're happy there.
I'd really like to give you god news about us. But i can't lie.
Since you've been gone, the things don't changed too much.
People are still running so fast. Nobody can stop just for a second to see, to hear, to feel, to talk...
You know, people they talk, but most of the times, say's nothing at all.
You was right, when you says about the material world.
Today i can see that love is that peace on heart. But maybe, i never get knowed.
I like to think about you in a wonderful garden, playin' guitar and waiting for the sun.
Here comes... Remember?
Man, i wish you love. That underneath love you always got.
I hope the sweet Lord have been by your side.
At last, thank you so much for make me understand what something is.

(Edu Neves)


PS.: The World's pain ain't over. But all things must pass.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Izabella teve um sonho


Acordou no meio da noite com um suspiro ofegante.
Todo o seu desapontamento e desespero tinha passado por ela. Viajou pela sinuosa estrada de frenesi.
Procurou se lembrar do filme que assistiu enquanto dormia.
Aos poucos foi se lembrando do sonho de trás pra frente.
Havia encontrado seu homem. O bom ladrão que enfim lhe concedeu o poder da escolha. Coisa que na verdade, achava uma utopia desgraçada.
Já tinha visto esse homem pela avenida. Ele sempre trajava roupas vermelhas, o que tinha lhe chamado a atenção.
Tal homem também já tinha lhe visitado em sonhos. No entanto, nunca se lembrava do enredo.
Organizou os papéis e se pôs a escrever. Procurou se concetrar mais no cenário do que nos detalhes.
Noite fria com a lua vermelha. Nuvens espalhadas, e árvores que tomavam formas estranhas. Notou que não havia sombras, nem ruídos.
Caminhou pelo bosque com certo descompasso. Sentiu sede e bebeu a água do riacho enevoado.
Um tigre faminto se aproximou e ela sentiu a sua dor. Os olhos verdes e redondos lhe encaravam com dor. O pobre diabo não comia há dias.
Logo, o medo se fez presente e ela sentiu que sua vida dependia totalmente da boa vontade do enorme felino à sua frente.
Não havia ninguém por perto. Só a noite, a lua vermelha, o bicho feroz e ela.
Uma completa sensação de impotência a fez se manter inerte. Notou que a pata do tigre era do tamanho de seu braço e bastaria um ataque para que o sonho acabasse com uma dose de morfina.
O animal se aproximou, mas ela hesitou em correr. Talvez isso seria um convite para as garras do monstro.
Havia quase que perdido os sentidos, quando o animal finalmente parou a dois metros de distância.
Então ouviu passos. Passos humanos. Raramente outra pessoa invadia seus sonhos pela porta da frente.
Era o seu homem. Seu salvador de roupas vermelhas em cima de um cavalo branco com asas.
Ergueu sua lança e o tigre lhe fitou diretamente nos olhos. Rangeu os dentes e caminhou lentamente para a direção contrária.
O homem de vermelho ficou satisfeito por não ter que matar o tigre. Isso realmente lhe deixava feliz.
Desceu do cavalo alado e segurou as mãos dela. Mãos que tremiam de medo e surpresa.
Lhe disse para não temer. Tudo iria ficar bem novamente e voltariam pra casa. Ela sorriu sem sentir e abraçou seu homem.
No caminho de volta, encontraram um bruxo que usava um colar cheio de dentes. Ele disse que o bosque tinha vida e vontade próprias, e talvez não os deixariam partir sem uma barganha.
O homem de vermelho o questionou a respeito do dono daquilo tudo e o bruxo riu com seus dentes dourados. O bosque era selvagem e não tinha dono.
Então, sentiu medo outra vez e gritou. Gritou e despertou. Despertou com a sensação de que ficara aprisionada no bosque. Algo seu ainda estava lá. Mas dessa vez, achou a vida real um refúgio mais confortável.
Pensou no bruxo e achou que poderia ser fruto da ditadura pela qual foi submetida na infância. E o bosque talvez fosse o vale das sombras.
Quanto ao homem de vermelho, esse sempre reaparece em seus sonhos. Já não tem mais o cavalo alado, nem a lança. Tudo o que tem agora é a confusão causada pelo bosque noturno.
Talvez tenha ficado louco. Ela o abandonou. Desejou voltar atrás e ficar perdida no bosque com seu salvador para sempre.
Pois o poder do amor iria se sobrepor a escuridão do bosque.
Izabella hoje sofre de insônia e sente saudade do tempo em que sonhava.

(Edu Neves)


sexta-feira, 11 de maio de 2012

O Paraíso Distante (So far away Mary)

Termino onde começo, quase sempre
Lágrimas caem
Inutilmente
Onde o paraíso é surpreendente

É um lugar onde nenhuma agulha pode te ferir
Um lugar onde você pode sorrir
Um pequeno lugar
Onde o amor pode existir

Volto pro fim, sem me dar conta do início
Procuro um suplício
E acho um enguiço
No fim de cada avenida sempre há um rodízio (De pizza?)

Continuo a sonhar
A boneca ganhou vida e vai me ensinar a dançar
Os anjos noturnos vão comemorar
E nenhuma orquídea vai chorar

(Edu Neves)








terça-feira, 8 de maio de 2012

A Última Estrofe

Cantei a última estrofe
Do último verso
Da última canção que jamais escrevi
Deixe a porta do acaso entreaberta
E fui surpreendido pelo descaso
Adormeci em pontes que ninguém atravessou
Acordei num vilarejo de pescadores
Onde alguém me matou
Ouvi o choro do nosso órfão
Que segurava um revólver, enquanto dançava sua valsa solitária
Toquei o piano em chamas incendiado por uma freira
Vesti o turbante negro da mulher sorrateira
Tive cem mil filhos em um único sonho
Dei asas a serpente desalmada e fui atacado por ursos famintos
Atravessei dois oceanos morrendo de sede
Enterrei os ossos do índio que salvou a minha vida
Procurei o gerador no bairro onde nasci
E só encontrei a lua pálida dos santos espalhados por todos os cantos da rua
Acreditei em mentiras que me levaram aos divãs mais gelados
Das cidades mais quentes do país
Desconfiei das verdades que dariam fim a minha busca incessante
Pelo diamante bruto escondido no peito de uma alma perdida
Meus passos sem direção me conduziram a esse vagão
Que ruma para baixo, abaixo do mais profundo sul
Acima de qualquer céu azul
E dentro de tudo que é Blue
Eles tentaram me roubar
Os parasitas burocráticos e suas amantes bem vestidas
Irão queimar
Como eu
Mas nem todo fogo arde
Que haja justiça em Marte

(Edu Neves)




Quando a chave não abre a porta (O prefixo do Abandono)

Saímos de noite e não havia nada na esquina
Nem começo havia
Saímos do meio da rua escura e seguimos (como fantasmas), pra onde a história termina

A garota de marfim nos acenou atrás da vitrine luminosa
Estaríamos a salvo
Depois de engolir a última gota de pecado com soda

Forte é a chuva que despenca no deserto das tentações
Forte é o sol nos olhos do príncipe cego
Queimando suas ilusões

Fomos pra casa de baixo de sol e chuva
Sem arco-íris
Eu, Sonny e Ísis

Bares fechados e portas abertas
Mente turva e coração vazio (lindos campos noturnos)
Mil corações partidos em uma festa

Nenhum roubo aconteceu, não nos levaram nada
Hálito quente no breu
Motim de emoções na calçada

Tremendo de frio, fechamos nossos olhos
Eu, Sonny e Ísis
Morremos lentamente e acordamos invisíveis (sem cicatrizes)

(Edu Neves)

She says i don't belong this World

She told me about secrets of the hill
The secrets around the ground
When i'm groping on the dark side of the road, i remember that
But that won't help us...
Then i told her my ilusions, all that i always got to hide
It wasn't a great performer, but she says i don't belong this world
So i'm gonna kill myself someday after while, when they will be sorry
Tonight i'll take my burden and play with fire, just like a puppet
When my lonesome death is finally comin', i'll remember what she says
So long, Fascist Market's Life...
There's some highway to hide...

(Edu Neves)



terça-feira, 1 de maio de 2012

Selva de Anjos

Eu tenho caminhado noites à fio
Encontrei espinhos e fadas delirantes
Encontrei serpentes e duendes gigantes

Avistei a enorme nuvem carregada de munição
Ginsberg me injetou morfina
Me livrando da maldita sina (que nunca termina)

Carrego a bagagem de um cego
E me encontro com as almas no porão
Não temo o deserto, temo sua imensidão

Tenho caminhado nos trilhos (errados)
Para ver Marianne
Mas o vento do oeste selvagem a levou e me tornei errante

Tornei a me encontrar com a cigana
Me mostrou que do lado de dentro, tudo é lindo
Então, me tornei índio

Visitei a cidade alucinante
L.A. é um lamento de solidão gritante
Mas o lamento se tornou constante

Encontrei todo tipo de gente
Corri todo tipo de risco
Comi lagosta no Carnegie Hall, bebi Vodka do lixo

O vendedor de ilusões me fez um preço justo (não posso reclamar)
Minha alma perdida em troca de prazer
Hoje, o trago amargo é meu único lazer

Volto a dormir
Métrica simbolista de um sonho
Aguardo...
Espero...
Pelo chamado (do décimo oitavo anjo)

(Edu Neves)

Pequenos Leões

Pequenas feras com pupilas dilatadas
Criaturas da noite, das telhas
Apetite voraz contra a hipocrisia sagrada da óstia
Suas vítimas são os infiltrados, semeadores da discórdia

Chegam sorrateiros
Se lavam e deitam no seu travesseiro
Dormem com os olhos abertos
Um sono que nenhum ladrão pode roubar

Desperta de um sonho reluzente
Se estica e se manda
Já está em outra cidade à procura de comida, abrigo e canções

Pequeno leão negro
Trouxe a cadência do samba em forma de asas
Pequeno anjo de quatro patas

(Edu Neves)

[Poema dedicado com todo o meu amor ao Gil, o gato]