quarta-feira, 23 de maio de 2012

A Neblina de um Presságio


Somos o pó maciço que Deus soprou na lua
A verdade encoberta em cada rua
Somos a discórdia ambulante flutuando no espaço
Somos o mais temível breu de cada buraco

Somos o filho pródigo das mulheres queimadas
A interjeição no final da noite calada
Somos o amargo do fel na língua do dragão
Somos os braços estendidos da nação

Somos a incógnita do futuro promissor
Somos o sorriso amarelo disfarçando o horror
A luz no fim do túnel apagando
O cavaleiro andante fumando

Somos a existência em seu ápice
O vinho tinto escorrendo do cálice
A chama do pecado consumida
Todas as ilusões que foram perdidas

Somos a próxima curva na estrada sem luz
Somos o primeiro feeling do último Blues
Somos o nosso próprio filho louco
Somos muito, nada é pouco

Somos o ouro roubado do bandido
O último grito no infinito
A corda bamba do trapezista
Somos o resultado de alguma pesquisa ilícita

(Edu Neves)


Um comentário:

  1. Somos a carcaça que cobre nosso tesouro
    Uma semente prestes a voltar para Terra
    E assim seremos tesouro vindo do barro!

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