sexta-feira, 8 de junho de 2012

38 Graus de Insanidade

Cinco horas da manhã, duas garrafas vazias
Ele acorda putrefato e atravessa a avenida
Bebe um café amargo como sua alma
Corre os dedos por sua pele queimada

Pele cheirando a absinto exalado
Corpo tremendo de calor enevoado
Onze horas da manhã, um tiro à queima roupa
Lavou os pratos e quebrou a louça

Sono instigante mal sonhado
Duas horas da tarde, uma fome inexistente
Uma boca que respira
Um coração que não mente

Água gelada nas calçadas sujas
Sol encoberto, penumbra
Cinco horas da tarde, vivendo como uma múmia
Hora de dizer para sempre, quase nunca

Sete horas da noite, um uivo ao longe
A metafísica do quando e onde
O logarítimo exato do abandono
Se deitou com sono

Beliscou o braço afim de acordar
Sem resposta, foi caminhar
Dez horas da noite, um desespero inebriante
Falou-lhe alto o silêncio gritante

Meia noite, uma febre lascívia
Amanhã é outro dia, outra vida
O segundo eterno passou por ele sem hesitar
É chegada a hora de calar

(Edu Neves)


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