quarta-feira, 13 de junho de 2012

Baile de máscaras

Gostaria de dizer que o relato abaixo é fruto da minha mente lisérgica, mas não posso mentir...


No meio em que vivo os números sempre foram de suma importância. Seres nocivos que ignoram por completo a matemática, fazem uma questão absurda de contar as inúmeras vantagens bem vistas aos olhos do ímpio. ''Eles'' dizem que a família tem o dever de preparar o indivíduo para ser um cidadão de bem. Honestamente, considero tal afirmação uma baboseira hipócrita feita para manipular os fantoches desolados. E na verdade, eu já desconfiava disso aos dez anos de idade.
A minha aversão a qualquer tipo de autoridade se tornou evidente quando me dei conta de que estava a favor dos garotos famintos, em uma quarta-feira cinzenta com gosto amargo.
Dia que não esqueço. Me lembro do rosto da madre superior ao notar a presença das crianças fartas de léguas e sem nada no estômago. Talvez o Vaticano tenha ficado com medo de contrair lepra.
Não sei dizer o que houve com os garotos, pois nunca mais os vi. Não eram mesmo daqui. Sei que volta e meia, me pego pensando em onde estariam. Mas nunca é do jeito que deve ser. O contrário sempre ocorre.
No entanto, aposto a minha alma como o convento inteiro nem ao menos se lembra de tal fato. E se lembram, esquecem imediatamente ao sentirem o cheiro do vio metal da iniquidade que rompe e corrompe os fracos de alma.
Mas as festas continuam. Vícios e virtudes dançam valsa no salão da imoralidade encoberta pelo sorriso falso, mas convincente dos atores.

(Edu Neves)




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