domingo, 24 de junho de 2012

O Trem da Ilusão

Sim, nós caminhamos pelas sinuosas falências triviais
Inundamos de ódio e desgosto o sonho do navegante
Poderíamos apagar a tatuagem em seu braço
Poderíamos não lembrar do rosto da amante

E os trilhos ganhariam vida própria
E jamais ficariam acorrentados no solo devastador
Voltaríamos para casa às três da manhã
Escutaríamos as máquinas roncando, sem nenhum pudor

Sim, você pegou a rota errada da última vez
Partiu desolada e sem itinerário
Arrastou consigo os presentes futuros
Colocou na bolsa de grife todas as mágoas do passado

Sim, eu andei com vagabundos no sub-solo da desolação
Estive com o chefe da corregedoria do paraíso
Participei das festas da alta classe
Enquanto, aos poucos, assassinava meu último sorriso

(Edu Neves)



2 comentários:

  1. Buenas,
    Minha mãe leu comigo alguns de teus escritos.
    Ela tb gostou, apenas discordou de mim quando eu disse achar semelhanças com uma poeta (nunca digo poetisa) que tanto gosto, Alejandra Pizarnik.
    Parecido ou não com Alejanra, gostamos.
    Aline

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    1. Muita gentileza, Aline. E a Pizarnik é no mínimo, ''foda''. Uma das minhas influências. Tento não copiar. Tento só fazer alusões. Afinal, somos influenciáveis. Obrigado e manda um abraço sincero para a sua mãe.

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