sexta-feira, 27 de julho de 2012

Dias amenos em tempos de Guerra

Me lembro da cor do seu cabelo
Lembro-me de quando éramos dois selvagens inocentes
Tiros de fogos reluzentes
Tão fortes, tão fracos (Não atingiam a gente)

Me lembro do seu sorriso, quando eu fazia algo idiota
Lembro-me da balada triste que soava como sinos do inferno em nossa mente
Peguei um sentimento emprestado com um agiota
Mas ele preferiu deixar-me seguir em frente

Me lembro do vestido que usou naquele dia cinzento
Lembro-me do que bebeu, sádico unguento
Paguei a conta e saí, deixando a porta aberta
Fotografei cada detalhe daquele último momento

Me lembro que seus olhos eram azuis docentes
Lembro-me da última parte de cada verso indecente
Escrevi algo no verso da conta e lhe entreguei
Assim como entreguei-lhe um coração inútil (Que hoje não bate mais)

Me lembro dos marginais nos seguindo pelas ruas escuras
Lembro-me do barulho da fábrica ao amanhecer
Fizemos algo juntos (Mas não sei o quê)
Hoje tenho a desolação do fim da tempestade turva

Me lembro do suspiro ao longo da noite cheia de estrelas
Lembro-me de apagar a chama da fogueira (E deitar-me sem sono)
Tempos como esse voltariam antes do fim
Livrariam-me do suposto abandono

(Edu Neves)


3 comentários:

  1. Aaaaaaaaaahhhhhhhh Jimizinho!!!
    Perfeito poema!!! Simplesmente PERFEITO!!!! Parabéns!!!

    ResponderExcluir
  2. Um dia tu me explicas exatamente o quê é um coração inútil?

    Gostei da ilustração. Foi perfeita para o poema.

    ResponderExcluir
  3. Jim, que lindo poema!
    Lembra-me uma cançao... leve...suave e...
    Para que apagarmos uma coisa que vivenciamos e nos foi tão importante...

    Beijos!

    by Ode ao Gil.

    ResponderExcluir