terça-feira, 10 de julho de 2012

O Banquete dos Desolados

Cortou-lhe a mão com os olhos fustigados
Depois arremessou-a para fora da vista
Sua cólera ruiu com o último tratado
Quando seu carro-fantasma parou na pista

Tudo que era pecado, era divino
Ao que o divino, se fez profano
O glamour do ódio, seu inquilino
No castelo de 12.000 anos

Vida desgarrada e furiosa
Intensa foi a chuva que nos inundou
Amor, lágrimas e uma voz preciosa
Foi tudo o que escutou (mas se calou)

Oceano negro da costa oeste sobre nós
Areia vermelha com gotas de ácido
Vento furioso irrompendo veloz
Destruindo toda beleza do seu palácio

Prato vazio nas mãos cansadas do lavrador
Fome saciada, mente turva
A grande mentira do sexo sem amor
Assassinou uma vida nula

Terminou por conta da vontade
Amou de tal maneira, que morreu
Pagou um preço maldito pela lealdade
E hoje, enxerga luz no breu

(Edu Neves)


3 comentários:

  1. Talvez o bom de ser poeta seja exatamente dar de cara consigo mesmo sem o verniz dos meio termos.
    Aprofundar-se, tocar a própria devastação, conseguir viver com ela.

    Carinho
    Aline

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    1. Se não fosse a bebida, esses poemas ridículos não existiriam. Essa é a verdade. Algumas vezes, é a bebida que escreve. Não sou eu. Sou eu, mas não estou em mim, de fato. Ou talvez esteja. Mas através de uma perspectiva assombrada.

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