sábado, 14 de julho de 2012

Pequeno Refúgio numa Cela

Garota pálida das madeixas em chamas
Fogo ardente que o Vaticano condenou
Sabe-se a mão, a mente e o corpo que ama
Requinte de crueldade da boca que beijou
Santo corpo decadente de labuta
Açoite nas costas do homem que pensa demais, que vê além
A criança assustada que virou puta
Coração terrível e destroçado de ninguém

Pobre garota pálida que se afogou nas margens de Sevilla
O que fizestes ao coração do padre justo?
Trocou a aliança da vida plena na ilha
Pelo insulto de um amor bruto
Comeu e deu de beber aos seres rastejantes da costa marítima
Bebeu na fonte que os negros ocultavam
Amou e gozou da fantasia do espírito são
Fugiu dos fracos de alma que lhe aprisionaram

Trancafiada, engavetou-se nos metros que lhe cobriam
Gritou em silêncio, seu despertar sombrio
Padre justo, me abre essa porta e livra-me da tirania!
Liberta, seu riso fez-se rio
Sua doença não tinha cura perante as mentes severas
Sua doença, aura que curava todos impunes platônicos
Não era doença, era cura fértil
Era do amor, Do amor e outros demônios*

(Edu Neves)

*Registro baseado na obra de Gabriel Garcia Marquez





3 comentários:

  1. Foi bom lembrar Del amor y otros demonio

    Gracias,pelo poema, guri.
    Decerto que é para todos mas agredeço por tu teres escrito e postado pois me tocou profundamente.

    Muito bom que de vez em quando alguém reviver em nós o quanto a intolerância é um mal na vida das pessoas.

    Aline

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  2. Del amor y otros demonios*

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  3. Igualmente incrível como todos os outros que você escreve.

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