domingo, 26 de agosto de 2012

Balada para Jesse James

Jesse foi um homem que matou vinte homens
Foi um sopro de poeira nos trilhos de Kansas
Foi a nuvem carregada que se rendeu ao Texas nublado
Foi o pagamento da dívida sem nenhum recado

Jesse deu de comer a Bob
Vendeu suas cicatrizes por uma garrafa de Tequila
Bebeu a sua dor e repousou sobre a bíblia
Estava cercado num labirinto de intrigas

Jesse foi o bom ladrão que morreu diante do espelho
Só se viu o reflexo de sua alma aflita diante do quadro da sala
Foi traído por Bob, o grande herói ruim de um Western sem fim
Deixou a mulher e os filhos se afogando no Green River

Jesse jamais confessou o último pecado
Tratou de morrer sem dor, sem dinheiro
Se recolheu à sua cova profunda
E aceitou seu destino congelado

(Edu Neves)




sábado, 25 de agosto de 2012

Prayer Fellin' Good

Senhor do Bom Fim
Não perca meu fim
Me vista de negro
E me afogue no Gim

Levante seu punho
Contra os males de Deus
E traga-me o vinho
Que Ele me prometeu

Senhor do pecado
Me livre do mal
Me livre das bocas
Me livre da água, do sal

Segure minha cabeça
E minhas mãos inquietas
Me traga de volta
O sol da nova era

Senhor dos mares
Me dissolva com sua sombra
E uma pitada de luz
Dor e prazer numa viagem longa

(Edu Neves)


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Ed Dunkel num Céu de Diamantes

Sim, ele te seguiu por mares revoltosos e paraísos artificiais
Foi seu fiel escudeiro, na luta e no luto
Como pôde abandoná-lo, Dean?
Depois de sua partida, nem mais um vulto

Sim, você se lembra do rompimento do último laço
Deixou a bela pequena de olhos claros para te seguir
Morreu umas vinte vezes em Tukson
E tudo o que faz, é sorrir

Se lembra de seus olhos quando estava faminto?
O que comia, descia como a fada verde do absinto
Dean, você o deixou
Deixou que ele se perdesse no seu labirinto

Um dia irá se encontrar? Irá nos encontrar?
Continua vendo o seu pai nos rostos de cada vagabundo errante?
Nos olhos das amantes mexicanas...
Pra cima deles, cavaleiro andante

Avante, cowboy ingrato
Não irei atrasar sua viajem louca
Avante, mas se lembre de mim, se lembre do Ed
Se lembre de queimar suas roupas (Sei que você tem energia para aguentar o fogo)

Eu realmente queria não ter que ir falar com o homem do tempo
Sabe que o tempo não é nosso amigo
Mas se lembre de Ed Dunkel
 Dunkel's House é nosso abrigo

(Edu Neves)




quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A Garota de Ontem

Você sabe, cara...
Ela te deixou louco e tomou a sua alma
Acabou com a comédia do seu drama
Quando viu, estava sozinho em sua cama

É, amigo...
Nunca sabemos como será a próxima mão
Aproveite o par de damas que tem consigo agora
A fúria do inverno chega, amigo. E não tem hora...

Cara, eu nunca imaginei que isso fosse real...
Crescemos mas continuamos insólitos, sagrados
Tua guia maléfica te levou a caminhos tortos
E então você sabe, eu morri no terceiro ato

Velho sábio, me dê um sinal de fumaça...
Quero ao menos completar a prova
Que passe em branco as desilusões
As difamações de minha alma morta

Cara, então eu voltei...
Voltei e bebi a tequila mais ardilosa do mundo
Aquele bar não é mais o mesmo, né?
Os frequentadores não tem mais rumo

Cara, vou ficar por aqui mesmo...
Meu trem está chegando e não pretendo perdê-lo
Já perdi bastante coisa no caminho
Espero tê-la esquecido quando tornar a vê-lo

(Edu Neves)

PS.: Não há nesse poema ridículo nenhuma alusão à canção The Girl from Yesterday da banda The Eagles e muito menos à maconha.