quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Alma Inocente e Sem Precedentes

A sala está vazia
Com a cadeira de balanço sem o mensageiro de cabelos prateados
Uma ausência que se torna cada vez mais presente
Presente de uma alma inocente

O velho rádio ficou mudo e nunca mais mentiu
O camisa 10 nunca mais lançou a 30 metros
O café frio e sem as bolachas já está a sete palmos de terra
Terra fértil que fez uma rosa branca nascer

O velho que amei sem precedentes
O amor que me foi dado sem transgressões
Ainda guardo a terceira lâmina que lhe fustigou a pele
Usarei contra os ladrões que se colocarem em meu caminho

Ainda escuto os contos da velha escola com atenção
Ouço o seu suspiro abafado, como quem escuta uma canção
Sinto a ternura de sua mão amputada me tocando
E dando de comer aos homens sem chão

A chance do perdão foi embora em uma semana
Tudo foi embora, como a mente nebulosa de uma galáxia distante
Não me vire a face, cavaleiro andante
Estamos à frente, mas ainda sou errante

Escute o meu suplício desgarrado
Visite-me em sonhos trancados no armário
Mande-me um sinal que há vida em Saturno
Ninguém o esqueceu, velho noturno

*(Dedico o poema acima com todo o meu amor, para meu velho, que partiu com olhos fechados, mas com o coração aberto)

(Edu Neves)

*(Estará sempre em nossos corações - A volta do mundo é grande, mas o poder de Deus é maior)






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