quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O Verde e o Vermelho

Quando te vi, vi além do seu decote convidativo
Quando te vi, vi além dos seus olhos iluminados de medo
Te vi, te quis e sonhei
Depois de me olhar no espelho

Não a toquei, mas a senti no meu sofá
A senti em meus poros, a senti em meu espírito torto
Tocarei esse imaculado corpo?
Não antes de alimentar os corvos

Toco você em mim, no início, meio e fim
Espero mil anos para tê-la uma vez, duas vezes, dez vezes
Beijar seus dedos tortos
E admirar seu esmalte verde

Nada mais interfere no quadro que eu pinto
Pinto seu corpo de vermelho
Vermelho-Sangue de um coração aflito
Vermelho de lágrimas do Rio Místico

Te perdi uma vez, no deserto das almas pálidas
Te achei de novo no compasso de um Samba lento
Se perder de novo, acho-te no inferno de um Jazz sem nome
E achando-a novamente, dar-te-ei outro nome

Um nome que todos irão se lembrar
Irão notar que em todo amor, há uma pontinha de dor
Uma pontinha mal apagada que um índio descartou
Adivinha só... (Aquela ferida cicatrizou)

(Edu Neves)


4 comentários:

  1. Estão cada dia melhores teus versos, Edu.. estes estão honestos, sinceros, intensos, magníficos

    Beijo

    Amar

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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