sábado, 15 de dezembro de 2012

Com os Lobos, seguirei...

Até o fim da rodovia
Com seus caninos brancos e presas afiadas
Morte e vida em quatro patas
Universo em alvorada

Caminhos tortuosos até o último lamento
Sutil momento precedente do fim
Em uma terra árida com plantas venenosas
A alma de um índio entrou em mim

Seguindo os carros com os olhos
Ficando limpo com toda poeira deixada para trás
Bebo vinho com os nativos
Brindo o amor dos animais

Então é chegada a hora de um breve repouso
Por uma luta inútil travada há mil anos
Deito-me sob um céu de primavera
E clamo, chamo, amo... Todos os anos

Com os lobos, seguirei os caminhos que não tracei
Até o fim da última rodovia
Vida e morte em um dia
Com a dor que ainda havia

Nada te perturbas quando sonhas com a inocência
Nem um ataque caótico de lúcida demência
Em minhas mãos, meu filho que nunca segurei
Até o fim da maldita rodovia, com os lobos, seguirei...

(Edu Neves)


Jesus Alado

Diante de seus olhos,

Me debruço

Na sombra de um abraço partido

Um abraço singular

Nos braços de Cristo

(Edu Neves)