segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Rapina

Meu gavião de peito aberto, pegue a filha do seu servo
Coma as entranhas do injusto
Gavião desolado
Migre para o pacífico ( Nos confins do mundo )

Galo do sertão árido, beba da fonte da juventude
Que o mar vire sertão
E contemple
A sua plenitude

Meu carcará imaginário, deguste o vinho tinto
Com seu paladar indigesto
Volte para o seu inferno
Antes que eu mesmo me contesto

Tenha cuidado com a serpente que voa
Voa, voa para bem longe do meu coração
Se esgueira mata adentro
E me morde a mão

Peço-te o fim dos dias amenos
Que tenha compaixão de seu pobre amigo
E colha as flores no deserto
E faça-me um abrigo

(Edu Neves)


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Corpo Fechado

Quem dera eu, ser a primavera azul e fria nos olhos dela
Ou a estrela no céu de sua boca
Um pássaro a espera
Do som de sua voz rouca

Ter o corpo fechado para as amarras e correntes
Desafinando o coro docente
Até que a música se perca
No sol reluzente

Quem dera eu, ter o espírito são e livre
Livre dos temores de ti
Livre do inferno em ti
Livre do inverno em mim

Ter a espada de São Jorge nas mãos
Toda alquimia que mata o dragão
Ter o respeito do inimigo nas mãos
Ter a letra de uma nova canção

(Edu Neves)


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O Sol se Desfez

O Sol se desfez quando o assassino lhe estendeu o cálice
Com cuidado, lhe tragou as escaras de uma vida passada
Então passou o chapéu e alguém depositou os créditos roubados
Rosas roubadas em um jardim caótico

O Sol se desfez quando a noite te invadiu sem pedir licença
Com as armas guardadas depois do genocídio
Alguém te roubou de si mesmo
E lhe tomou as crenças

O Sol se desfez quando o café ficou amargo
Com as promessas de amor não vividas
Com a lascívia das ondas no porto
Com a luz em cima do armário

O Sol se desfez quando amanheceu no seu quarto
Manhã fria e sem sono adentro
Mil pesadelos
Partidos em quatro

(Edu Neves)


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Pelas Coisas mais Lindas


De onde venho não tenho abrigo
Só tenho a morada do sol
Só tenho a cor do sol
Mas não tenho o seu calor
Posso jurar pelas coisas mais lindas
Que tenho andado na linha
Mas o caminho é torto

De onde venho só tenho o vinho
Só tenho a nuvem negra logo acima
Só tenho a cor da noite
Roubando as minhas rimas
Posso jurar pelas coisas mais lindas
Que tenho andado na linha
Mas o caminho é outro

De onde venho só tenho um retrato
Só tenho a imagem
Só tenho o farol da ilha
Só tenho o que não queria
Posso jurar pelas coisas mais lindas
Que saí um pouco da linha
Mas o caminho é novo

(Edu Neves)


Canções do Vento

Quando decidi me perder
Já sabia o que iria achar
O que iria encontrar
Nos seus braços, ao seu lado
À seu dispor
E esse vento que eu ouço agora
São palavras jogadas fora
São flores mortas
No caminho de uma vida torta

Quando decidi me encontrar
Já era dia em algum lugar
Com o sol a mostrar
Todo o brilho de cada olhar
E essa onda que me cobre agora
São só as lágrimas que eu joguei fora

(Edu Neves)