terça-feira, 16 de abril de 2013

Poe's Black Wings (Asa Negra)

Bem me lembro!
Bem me lembro da noite enevoada em que voei
Voei para dentro do quarto do pobre homem aflito
E nada mais fiz, dito isso: Nunca mais!

Atirei a frase em seu sangue já coagulado
E seu pensamento secou
Secou há muito
O tempo atrasado

Na inércia de meus movimentos, o homem se viu
Se viu e chorou as lágrimas de outrora
Depois de dito tal feito
Nunca mais agora!

Tal homem morreu para sempre
Nos braços da doce Lenora
Bicho da semente que sente
Nunca mais pra sempre!

(Edu Neves)


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Cada qual no meu Lugar

Na minha cama, um oceano
Na minha mente, um devaneio qualquer que se desfaz com a sua luz
No meu corpo, o estado sádico do cansaço
Na mesa, a comida devorada

No céu, os abutres tem fome
Nas nuvens, as lágrimas de Deus que caem no solo
No sofá, um velho livro não lido
Na vida, uma descrença impiedosa

(Edu Neves)


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Insônia

Então, o que tem aí dentro?
Nada não. Nada que faça calor.
A noite chegou fazendo frio
Frio que o vento soprou

Então, o que faz aí dentro?
Durmo sem sono e sonho com a utopia de mim mesmo
Sonha acordado, moço?
Durmo sonhando e nunca acordo.

E o silêncio da noite me traz de volta
Aquela volta em que estou perdido e sonhando.

(Edu Neves)