sábado, 2 de janeiro de 2016

Quarto 210

Tocou a última nota fazendo um sepultamento
Foi dissonante a vida inteira
Levou a surra sem alento
Levantando a bandeira

Seu corpo jazz em Los Angeles
Como uma vitória aos sepulcros
Nem notaram o quanto antes
Que não eram notas, mas uivos

Janela abaixo voou para a liberdade
Sem sorrisos ou acenos tímidos
A platéia abraçou a impunidade
Enquanto faziam festa, os mímicos

Seu espírito ainda vive no Jazz que morreu como corpo
Seu alívio fez da colher e agulha irmãos
Algum pássaro preto lhe rendeu um broto
Mas agora está falido, sem irmãos, sem mãos

(Edu Neves)



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