quinta-feira, 16 de junho de 2016

14 Homens e Nenhum Segredo

Não há segredo algum no cofre
Está aberto e silencioso como uma mentira
Um feitiço deslocado que cobre
Qualquer conversa longa e íntima

As coisas serão as mesmas depois da descoberta?
Complacência e ignorância se degladiam com indiferença
Não há segredo algum no cofre
Está limpo como a seda de um robe

Hoje é amanhã antes de ontem
E os tornados não farão a roleta parar de girar
A ganância é garantida quando se trata de homens
Esperando ao acaso, uma mulher chorar

Não há segredo algum no cofre
Só o passado dos homens
Só o passo apressado de um tira
Só o teatro de um dublê da ira


Edu Neves



A Luz Verde

Ele olhava do píer, como se estivesse tentando alcançá-la
Porém, seu peito se desabotoava
E ela, por conveniência, se deitava
E se vestia e se escondia como ninguém ousava

Partilha de mim seu gosto pelo sorriso
Partilha de outro, a moça que não tens visto
Olha de sua janela com a fronte enrugada
Nick Carraway te observa da escada

Seu jardim e seu carro sob medida está agora quebrantado
Tal como está seu coração alado
Jamais se viu festas tão cheias de gente
Jamais se notou algo tão intimamente

Grande homem da Lei Seca
Sua boca está seca
O revólver lhe tirou sua ruína
Enquanto jazia na piscina


Edu Neves

*Baseado no Romance de F. Scott Fitzgerald - The Great Gatsby



quarta-feira, 15 de junho de 2016

Queima de Arquivo

Apagaram seu nome da lista, filho
Agora é um vagabundo iluminado pelo desespero
Mas ainda há uma luz no final
Não pense no seu enterro, nem no seu enredo

Apagaram sua memória, pobre homem
Deixaram-no solto em sua dor infindável
Há um lunático em sua mente
Um Chapeleiro bastante simpático

Apagaram sua lista e seus contatos
Não te querem mais no setor matutino
Depois de vinte anos na escola
Te chamam de garoto franzino

Apagaram seus erros, está livre
Porém, sem documentos ou passaporte
Durma na rodoviária, filho
Talvez seja um bom esporte


Edu Neves



O Homem Sem Medo

Como se mata um homem sem medo?
Colocando medo nele

Como um homem sem medo pode ter responsabilidade alguma?
Amando as pessoas ao redor

Quando o medo aparece?
Todos os dias

De que forma tal homem encara o medo?
Indo além da coragem (Emily Dickinson)?

Coragem lhe é preciso sempre?
Sempre, mesmo com o vento soprando à favor

Tal homem teme a morte?
Tal homem acredita que a morte é superestimada

E se esse homem falhar?
Ele não deixa a culpa o consumir, pois a culpa é a (des)culpa dos fracos

E se esse homem não amar ninguém?
Não existe tal possibilidade

Ele viverá pra sempre?
Não, mas sua obra sim

Poderia alguém ser mais forte do que ele?
Até uma simples formiga; Kriptônia não existe


Edu Neves







terça-feira, 14 de junho de 2016

Paris é uma Festa

Contagiante Torre
Diga-me que ama estar aqui
Posso duvidar dessa terra perfumada
Ou aproveitar-me de uma fragata

Cante as canções de seu salão iluminado
Há de aniquilar o Sr. Hemingway por motivo inútil
São conjecturas do infiel destino
São as páginas da Vouge fútil


Edu Neves



Sol vs Relativismo

Coelho, escolha um buraco e se esconda
Há uma multidão de olho no seu relógio
O tempo segue e a moça ainda não caiu em si
O tempo segue e a moça ainda não seguiu-te

Não há acordo entre leões e cordeiros
Mas eles vêem as paisagens distorcidas e eletrificadas
Assim como a águia que alça vôo lentamente
Desbravando seu insignificante continente


Edu Neves



Page Not Found

We love, we lie
We lie more than we love sometimes
But i'm sure 'bout one wild thing
Love's still alive

We need of a Warm place
Place inside another heart
'Cause we can do it together
May i have a little talk with the air?

Were i go, i really don't know
But i'm not alone in the dark no more
We'll take it slow
Cause tomorrow never Knows

Just want to make love with myself
As i'd make it with Ann
Just like two animals
Into the page not found for nobody in this whole Damn world


Edu Neves




Terceira Pessoa do Plural

Quem há de duvidar, que no fim, somos homens comuns?
Dúvidas e oscilações até o caminho da certeza
Eles não sabem, mas nós sabemos o que é ser um
Fitamos o próprio rosto com a vergonha alheia à pesar sobre o corpo nu

Sejamos tolos ao pensar que devaneios nos deixam à deriva
Aos homens do frio e do clima escaldante
Somos certos e errantes
Como agulha no feno, somos depois e antes


Edu Neves


*Baseado no roteiro de Paul Haggis





A Górgona Mortal

Oh, mulher amaldiçoada e decapitada por Perseu
Não me transforme em pedras pálidas essa noite
Não se alimente do mal que há em mim essa noite
Atena fez de sua cabeça um escudo fariseu

Cobras no lugar de cachos imaculados
Odeiam o homem mortal (?)
Ruína, o ciúme verde dos pretendentes da antes, bela donzela
Se deitou com o Deus dos Mares e lhe foi entregue açoites e trevas

Doce Medusa, nasceu do terror
O terror não lhe foi primogênito
Descanse sem culpa
Com Poseidon, como prêmio

Oh, divino talismã do homicídio cruel de um semi-deus
Dê-me seu vinho tinto e desnudo essa noite
Dê-me de comer todo o desértico pano de fundo que te encobre
Dê-me seu réptil como um antídoto para o ódio eterno


Edu Neves