terça-feira, 14 de junho de 2016

A Górgona Mortal

Oh, mulher amaldiçoada e decapitada por Perseu
Não me transforme em pedras pálidas essa noite
Não se alimente do mal que há em mim essa noite
Atena fez de sua cabeça um escudo fariseu

Cobras no lugar de cachos imaculados
Odeiam o homem mortal (?)
Ruína, o ciúme verde dos pretendentes da antes, bela donzela
Se deitou com o Deus dos Mares e lhe foi entregue açoites e trevas

Doce Medusa, nasceu do terror
O terror não lhe foi primogênito
Descanse sem culpa
Com Poseidon, como prêmio

Oh, divino talismã do homicídio cruel de um semi-deus
Dê-me seu vinho tinto e desnudo essa noite
Dê-me de comer todo o desértico pano de fundo que te encobre
Dê-me seu réptil como um antídoto para o ódio eterno


Edu Neves



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